No Colégio Estadual do Campo Maria Mendes de Souza, no município de Inhambupe, o intervalo ganhou novos significados: mãos em movimento, olhares atentos e estudantes descobrindo formas diferentes de se comunicar. A cena traduz o impacto das oficinas de Língua Brasileira de Sinais (Libras), implantadas na unidade, e que, hoje, se espalham por escolas do Núcleo Territorial de Educação do Litoral Norte e Agreste Baiano (NTE 18), alcançando também Alagoinhas e Cardeal da Silva. A iniciativa fortalece a inclusão e amplia o acesso à comunicação no ambiente escolar.
A ação na unidade de Inhambupe foi implementada a partir da atuação da professora e intérprete de Libras Damille Cardoso de Jesus, diante das dificuldades de interação entre estudantes surdos e colegas ouvintes. “A iniciativa surgiu a partir da minha atuação como intérprete de Libras na instituição, onde auxilio dois alunos surdos. Observei que, nos momentos de intervalo, esses estudantes enfrentavam dificuldades de comunicação com os colegas ouvintes, o que ocasionava situações de isolamento no ambiente escolar.”
Com as aulas, a dinâmica escolar foi transformada, promovendo maior integração e participação dos estudantes surdos nas atividades cotidianas. O interesse dos colegas ouvintes pelo aprendizado da Língua Brasileira de Sinais tem ampliado o diálogo e fortalecido vínculos dentro da escola. “Com o desenvolvimento das aulas, os alunos surdos passaram a se sentir mais incluídos no contexto escolar, ampliando suas interações sociais e fortalecendo sua participação nas atividades”, acrescenta a docente.
Aprendizado que transforma
Entre os estudantes do Colégio Estadual do Campo Maria Mendes de Souza, o contato com a Libras tem despertado novas possibilidades de expressão e ampliado a compreensão sobre inclusão e respeito às diferenças. A prática em sala de aula estimula o engajamento e valoriza a cultura surda. “Minha experiência com as aulas de Libras na escola tem sido simplesmente incrível. Aprender a ‘falar’ com as mãos, expressões faciais e o corpo é um desafio gratificante e muito importante”, relata a estudante Ana Luísa, do 3º ano do Ensino Médio. “No começo foi difícil, mas aos poucos fui me familiarizando com os sinais e entendendo que a comunicação vai além das palavras faladas”, acrescenta Kauane Mendes, egressa da unidade de Inhambupe e, atualmente, estudante de História na Universidade Estadual da Bahia (UNEB).
A iniciativa também alcança outras unidades da rede estadual no território. Em Cardeal da Silva, o Colégio Estadual do Campo de Tempo Integral Doutor José Antônio de Araújo Pimenta desenvolve uma oficina de coral em Libras, integrando música e linguagem de sinais e ampliando o acesso dos estudantes a experiências culturais inclusivas. Já em Alagoinhas, as oficinas vinculadas ao Educa Mais Bahia reforçam o compromisso com a inclusão e o respeito à diversidade no ambiente escolar. “A oficina de Libras tem sido uma verdadeira ponte de inclusão, aprendizado e amor ao próximo, dentro da escola. Cada sinal aprendido representa um passo em direção a uma comunicação mais acessível e a uma sociedade mais inclusiva”, destaca a oficineira voluntária Dulcineide Pereira de Araújo. O Educa Mais Bahia é uma ação estratégica da Secretaria da Educação do Estado (SEC) que amplia a jornada escolar na rede pública estadual, oferecendo diferentes opções de oficinas, como artes, esportes, música e reforço escolar, entre outras.
Tita Moura - Ascom/SEC
Fotos: Acervo Pessoal
Assessoria de Comunicação
Secretaria da Educação do Estado da Bahia

