Da Bahia para o mundo: comunidade indígena é destaque em exposição internacional



Foto: Pedro Nunes


Da Redação

Sob o olhar do fotógrafo Pedro Nunes e curadoria de Uiler Costa, a Exposição Aragwaksã — A Grande Conquista do Território leva a força da cultura baiana ao exterior. O evento de abertura acontece no próximo dia 15 de maio, na Casa da Juventude, em Pazardzhik, Bulgária onde permanecerá em cartaz até o mês de junho de 2026.

As lentes do artista registraram o Aragwaksã, ritual sagrado que marca o aniversário da Aldeia Pataxó da Jaqueira em Porto Seguro, Bahia. Celebrado anualmente em 1º de agosto, o evento é definido por Pedro Nunes como algo que transcende a festividade. “O povo Pataxó se reúne para o Aragwaksã — não apenas para uma festa, mas para um rito de existência e resistência”, garante.

No dia da festa, a aldeia desperta sob o perfume da resina, do barro e das folhas verdes, dando início a um ritual de força e identidade. Entre a corrida de tora, a caçada e o batismo com a terra ancestral, a vida pulsa no cauim, na troca dos cocares e nas pinturas corporais que narram histórias na pele. O Awê, em seu canto e dança, une a comunidade em uma oração coletiva – um cenário capturado pelo olhar de Pedro Nunes ao longo de uma década. Para o fotógrafo, registrar o Aragwaksã é um ato de salvaguarda. “É fotografar o que não pode ser apagado; é preservar a memória e a resistência dos povos originários do Brasil”, explica.

Pedro Nunes vê como uma missão sem preço difundir a cultura da Bahia no exterior, exaltando a resistência e a identidade dos Pataxó da Reserva da Jaqueira. Segundo ele, poder usar suas lentes para narrar a trajetória dos povos originários é motivo de honra. “Sinto um orgulho imenso de dar esse lugar de destaque ao povo Pataxó através das minhas obras”, comemora.

Soteropolitano de corpo e alma, Pedro Nunes é um contador de histórias que utiliza as lentes para elevar o cotidiano ao status de arte. Aos 43 anos, o fotógrafo baiano traduz sua herança cultural em um acervo riquíssimo, que já soma mais de 2.000 obras comercializadas. Um de seus trabalhos mais simbólicos foi realizado em Porto Seguro, onde registrou com sensibilidade e profundo respeito às tradições e a humanidade da comunidade indígena Pataxó. A exposição conta com o apoio de Zenon Instituto Cultural, Instituto Pataxó de Etnoturismo, Casa da Juventude de Pazardzhik e Hospital Ramos.
Postagem Anterior Próxima Postagem

Leia o texto em voz alta:



Esta imagem está protegida. Copiar não é permitido.