Quando a internet chegou até nós (pobres mortais), no final do século passado, foi algo arrebatador. Tínhamos alguma noção de que essa ferramenta inovadora e futurista surgiria, mas não imaginávamos como seria, nem o quanto a informação em tempo real e a interligação de todo o planeta poderiam ser, ao mesmo tempo, boas e ruins para todos nós.
Até o início da década de 1990, a televisão, o rádio, o telefone e o fax eram tudo o que havia de moderno e inovador no mundo da informação. Aos poucos, a rede mundial de computadores foi se consolidando, e sites de notícias, blogs, Messenger, Orkut e Facebook passaram a ditar regras, ocupando cada vez mais o nosso precioso tempo.
O futuro chegou e, em pouco tempo, a internet saiu dos computadores de mesa e dos portáteis para caber na palma da mão, por meio dos smartphones - ou celulares, como costumamos chamar aqui no Brasil. Novos meios de acesso à informação e de envio de mensagens surgiram, como WhatsApp, Instagram, Threads, X (antigo Twitter), TikTok e tantos outros, consumindo ainda mais o nosso tempo.
Com esse verdadeiro turbilhão de informações chegando instantaneamente, a notícia perdeu qualidade e credibilidade. As pessoas passaram a se preocupar mais com visualizações, curtidas e engajamento do que com a veracidade do que está sendo compartilhado. Pouco importa se a informação é real ou fake news. Hoje, o que vale é ser o primeiro a transformar o fato em “notícia”.
Paralelamente a essa enxurrada de informações distorcidas ou falsas, surgiu o fator ideológico e político, alimentando uma disputa constante entre esquerda e direita. Tudo no Brasil (uso o país como exemplo por ser onde vivo e acompanho de perto essa loucura cibernética) está chegando a um ponto perigoso, capaz de dividir famílias, parentes e amigos por questões ideológicas.
O pior de tudo é que não vejo sinais de melhora. A cada dia, a radicalização de ideias e opiniões apenas cega e afasta as pessoas. Caminhamos para um cenário cada vez mais preocupante. No campo ideológico, essa “guerra” já existe, com lados bem definidos e cada um fechado no seu próprio quadrado. Ainda não sei quais armas serão usadas em um conflito maior, mas o ambiente atual inspira grande cuidado e preocupação.
Arnold Coelho
Preocupado com o futuro
