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Da Redação
Uma chuva de meteoritos transformou Santa Filomena, no Sertão de Pernambuco, em destino de pesquisadores e compradores de várias partes do mundo. Entre os fragmentos encontrados no município está uma pedra de 38,2 quilos que chegou a receber uma oferta de R$ 120 mil de estrangeiros interessados em adquirir o material.
O fenômeno aconteceu em 19 de agosto de 2020. Um clarão foi visto no céu antes de uma série de fragmentos atingir diferentes pontos da cidade e da zona rural. Algumas pedras perfuraram telhados e atravessaram copas de árvores, mas ninguém ficou ferido.
O maior fragmento foi encontrado dias depois por um morador que decidiu procurar pedras na própria região após ouvir relatos sobre o impacto. A peça estava parcialmente enterrada no solo e precisou ser retirada e transportada pelo sertão até uma estrada, de onde foi levada de motocicleta para a cidade.
A descoberta rapidamente chamou a atenção de especialistas e de pessoas interessadas no comércio de meteoritos. Fragmentos menores chegaram a ser negociados por até R$ 40 o grama, o que alimentou a expectativa de que a pedra de quase 40 quilos pudesse alcançar um valor muito maior.
A família que encontrou o maior exemplar, porém, não aceitou a proposta de R$ 120 mil. Segundo a esposa do proprietário, o valor oferecido estava abaixo do que eles consideravam justo. A repercussão também trouxe preocupação à família, que passou a temer pela segurança do meteorito.
“A gente acha uma pedra dessa, e o pessoal já pensa que a gente virou milionário. Não é bem assim. A gente está muito tenso”, relatou o morador que encontrou a peça.
O caso chegou a provocar uma verdadeira movimentação na pequena cidade. Pesquisadores, colecionadores e compradores estrangeiros passaram a procurar moradores em busca dos fragmentos. O então prefeito Cleomatson Vasconcelos definiu o fenômeno como uma “corrida do ouro”.
“Algumas pessoas chegaram alguns dias depois do fato oferecendo dinheiro de uma forma aleatória. Criou-se até uma ‘corrida do ouro’”, afirmou o ex-prefeito.
Além do possível valor comercial, as pedras possuem importância científica. O professor Fábio Machado, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), analisou imagens do maior fragmento e confirmou que se tratava de um meteorito. A classificação definitiva dependeria de testes laboratoriais.
Segundo o pesquisador, existe a possibilidade de o material ser um condrito, tipo de meteorito considerado especialmente relevante para o estudo da formação do Sistema Solar, há mais de 4,6 bilhões de anos. Antes de entrar na atmosfera terrestre, os fragmentos provavelmente faziam parte de um único corpo.
Parte do material também chegou ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Em 2023, a instituição incorporou ao acervo um fragmento de aproximadamente 2,8 quilos encontrado em Santa Filomena. A peça foi classificada como condrito e se tornou o primeiro meteorito incorporado à coleção do museu após o incêndio de 2018.