
A Defesa Civil investiga se duas mortes estão relacionadas aos temporais: um óbito por descarga elétrica em Canguçu, e outro por queda de árvore em Bom Retiro do Sul. "Ainda é prematuro estabelecer relação de causalidade com o evento adverso que ocorreu, em ambos os casos", afirmou o órgão à Folha.
RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - As fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul entre a tarde de sexta-feira (1º) e a madrugada deste sábado (2) deixaram mais de 500 pessoas desalojadas, provocaram alagamentos em diversas cidades e levaram à emissão de alertas para risco de deslizamentos em diferentes regiões do estado.
A Defesa Civil investiga se duas mortes estão relacionadas aos temporais: um óbito por descarga elétrica em Canguçu, e outro por queda de árvore em Bom Retiro do Sul. "Ainda é prematuro estabelecer relação de causalidade com o evento adverso que ocorreu, em ambos os casos", afirmou o órgão à Folha.
Na noite de sexta, um barco de pesca com quatro tripulantes naufragou na lagoa dos Patos, em Pelotas. Na manhã de sábado, o corpo de um deles foi encontrado, enquanto as outras três pessoas que estavam a bordo seguem desaparecidas.
As circunstâncias do acidente serão apuradas por meio de inquérito, de acordo com o Comando do 5º Distrito Naval da Marinha, que atua nas buscas junto às autoridades locais.
Em Rosário do Sul, a prefeitura decretou estado de emergência após o avanço das águas e os impactos registrados no município.
De acordo com a Defesa Civil, o alerta para deslizamentos é considerado moderado e permanece válido até a noite deste sábado em Porto Alegre. Em cidades como Caxias do Sul, Muçum, Parobé e Três Coroas, o risco se estende até a madrugada de domingo (3).
Boletim divulgado pelo órgão aponta que ao menos 19 municípios relataram ocorrências relacionadas ao temporal, incluindo alagamentos, danos em telhados e transbordamento de arroios.
Entre os registros, cidades como Alegrete, São Gabriel e Uruguaiana reportaram alagamentos em diversos pontos, tanto em áreas urbanas quanto rurais. Já em municípios como Ernestina, Marau e Santa Maria houve danos estruturais em residências, principalmente destelhamentos.
Em Encruzilhada do Sul, o arroio Lava-Pés chegou a transbordar, invadindo casas e mobilizando equipes do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e prefeitura.
Também foram registradas ocorrências em cidades como Agudo, Faxinal do Soturno, Sobradinho e Lagoa Bonita do Sul, onde houve alagamentos pontuais e necessidade de apoio a moradores atingidos.
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O temporal também impactou rodovias importantes no estado. A RS-348, na região central, foi totalmente bloqueada entre Faxinal do Soturno e Ivorá após a elevação do arroio Guarda-Mor, que danificou um desvio provisório. No mesmo trecho, entre Faxinal do Soturno e Dona Francisca, houve cedimento do asfalto, e o trânsito passou a operar em sistema de pare e siga.
Já a BR-290 chegou a ser totalmente interditada no km 353, entre Vila Nova do Sul e São Gabriel, devido à elevação do arroio Bossoroca. O trecho, no entanto, foi liberado no início da madrugada deste sábado.
Além dos alagamentos, o temporal provocou quedas de árvores e bloqueios em outras vias, afetando o tráfego em diferentes regiões do estado.
Segundo a Defesa Civil, os desalojados (pessoas que precisaram deixar suas casas e se abrigar temporariamente com parentes ou conhecidos) somam mais de 500 até o momento. Não há, até a última atualização, balanço consolidado de desabrigados.
O órgão segue monitorando as condições meteorológicas e orienta a população a evitar áreas de risco, como encostas e locais sujeitos a alagamentos, diante da previsão de continuidade das instabilidades