O governo da China se manifestou nesta terça-feira (7) após a inclusão da montadora BYD na chamada “lista suja” do trabalho escravo no Brasil. O cadastro reúne empregadores responsabilizados, após processos administrativos, por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores da China, o governo afirmou acompanhar o caso e reforçou que empresas chinesas devem cumprir as leis dos países onde atuam. “A China sempre exigiu que empresas chinesas operem conforme as leis e regulamentos”, diz o posicionamento, que também destaca a importância da proteção dos direitos dos trabalhadores.
A atualização mais recente da lista, divulgada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, incluiu 169 novos empregadores — sendo 102 pessoas físicas e 67 empresas — elevando o total para cerca de 613 nomes no cadastro. A relação é publicada semestralmente e prevê permanência de dois anos para os incluídos, desde que não haja reincidência e haja regularização das irregularidades.
A inclusão da BYD ocorreu após o resgate de 220 trabalhadores chineses em dezembro de 2024, durante obras da fábrica da empresa em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
Segundo as autoridades, os operários estavam em condições precárias de alojamento, com restrição de circulação, vigilância armada, retenção de passaportes e contratos com cláusulas consideradas ilegais, como jornadas excessivas e ausência de descanso semanal.
À época, a BYD atribuiu as irregularidades à construtora terceirizada responsável pela obra e informou o rompimento do contrato. A empresa também declarou não tolerar violações à legislação brasileira e afirmou ter prestado assistência aos trabalhadores.
No fim de 2025, o Ministério Público do Trabalho da Bahia firmou um acordo de R$ 40 milhões com a montadora e empreiteiras envolvidas, após ação civil pública por trabalho análogo à escravidão e tráfico de pessoas.
Até o momento, a BYD não se pronunciou sobre a inclusão na lista mais recente.