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Da Redação
A escalada militar envolvendo Irã e Israel provocou um choque imediato no mercado de energia. Nesta segunda-feira (2), os contratos de gás natural na Europa registraram forte alta, com avanço superior a 50% na comparação com o fechamento da última sexta-feira.
O movimento reflete o temor de interrupções no tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do gás natural liquefeito (GNL) comercializado no mundo. Após alertas emitidos por Teerã, armadores e grandes companhias de energia suspenderam embarques pela região.
O contrato de referência no hub TTF, na Holanda, principal indicador de preços na Europa, avançou quase 8 euros, atingindo 39,96 euros por megawatt-hora (MWh). No Reino Unido, os contratos também subiram de forma expressiva.
A estatal QatarEnergy confirmou a paralisação da produção de GNL após ataques a instalações industriais no Catar. O país é um dos maiores exportadores globais do combustível.
Efeito dominó
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Europa intensificou a compra de GNL para reduzir a dependência do gás russo. Com estoques atualmente próximos de 30% da capacidade, segundo dados da Gas Infrastructure Europe, o continente entra no período de recomposição de reservas sob pressão.
Analistas alertam que mesmo uma redução parcial no fluxo pelo Estreito de Ormuz pode elevar ainda mais as cotações. Ole Hvalbye, do SEB, estima que entre 8% e 10% das importações europeias de GNL estejam ligadas indiretamente à rota.
Relatórios do Rabobank apontam que o preço no TTF pode se aproximar de 50 euros/MWh caso a interrupção persista. A avaliação é que compradores asiáticos passariam a disputar cargas dos Estados Unidos, encarecendo o gás na chamada “bacia do Atlântico”.