Diretora e duas funcionárias de escola são indiciadas por morte de adolescente após denúncias de bullying em Ilhéus



Foto: Reprodução


Da Redação

A Polícia Civil da Bahia indiciou a diretora, a coordenadora e a psicóloga do Colégio Status, localizado em Ilhéus, no inquérito que investiga a morte da estudante de 14 anos Maria Eduarda Suzarte Nascimento Silva. A adolescente morreu em junho de 2025 após atentar contra a própria vida.
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Segundo a investigação, as três foram indiciadas por induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou à automutilação, com resultado de lesão corporal de natureza gravíssima. A diretora da instituição, Gildelina Reis Nascimento, também foi indiciada pelos crimes de injúria e racismo.

De acordo com a polícia, há indícios suficientes de autoria e prova de materialidade para o indiciamento da diretora, da coordenadora Deborah Tavares Santos e da psicóloga Silvania dos Santos Nascimento.

A estudante, que cursava o 9º ano, morreu na noite de 11 de junho de 2025. Antes de falecer, ela chegou a relatar a uma testemunha que enfrentava problemas dentro da escola que lhe causavam forte desgaste emocional, conforme depoimento colhido durante a investigação.

Ao longo do inquérito, conduzido pela 1ª Delegacia Territorial de Ilhéus, mais de 40 pessoas foram ouvidas, entre estudantes, ex-alunos, funcionários, ex-colaboradores da instituição e pais de alunos.

Durante a apuração, a família entregou à polícia o tablet utilizado pela adolescente. No aparelho, foram encontrados registros de conversas com amigos em que Maria Eduarda relatava situações de perseguição e desconforto dentro do ambiente escolar. Também foram localizadas mensagens trocadas com um estudante de 17 anos que, segundo os registros, demonstrava interesse pela jovem.

Os pais da estudante afirmaram em depoimento que haviam procurado a direção da escola após a filha relatar que estava sendo seguida por um colega. A família também afirma que a adolescente relatou episódios de pressão psicológica e isolamento dentro da instituição.

Segundo o pai da jovem, a diretora teria orientado outros estudantes a se afastarem da menina, o que teria agravado o isolamento e os episódios de bullying. A mãe da adolescente também relatou que a filha teria sido alvo de comentários e atitudes discriminatórias relacionadas à sua sexualidade.

Em nota enviada por meio de sua representação jurídica, o Colégio Status afirmou que a instituição e seus funcionários têm sido alvo de “injúrias, difamações e calúnias” nas redes sociais. A escola declarou ainda que está colaborando com as investigações e fornecendo documentos e depoimentos às autoridades.

A defesa da instituição também afirmou que a estudante apresentava questões pessoais anteriores ao período em que estudou no colégio e que a escola teria buscado comunicar a família sobre a situação.

O caso segue em tramitação após a conclusão do inquérito policial.
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