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Da Redação
Neste domingo, Dia Internacional da Mulher, a vereadora de Salvador Ireuda Silva (Republicanos) destaca os avanços conquistados pelas mulheres nas últimas décadas, mas fez um alerta sobre os desafios que ainda persistem, especialmente no enfrentamento à violência de gênero no país.
Negócios Brasil-Índia
Dados recentes divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou, em 2025, o maior número de feminicídios dos últimos dez anos. Ao todo, 1.568 mulheres foram assassinadas em razão de sua condição de gênero, um aumento de 4,7% em relação a 2024, quando foram contabilizados 1.492 casos.
A série histórica, iniciada em 2015 — ano em que o feminicídio passou a ser tipificado no Código Penal brasileiro — revela uma trajetória preocupante. Naquele ano, foram registrados 449 casos. Em 2016, o número praticamente dobrou, chegando a 929 vítimas. Desde então, os dados seguem em crescimento: 1.075 casos em 2017, 1.229 em 2018, 1.330 em 2019 e 1.354 em 2020.
Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara Municipal de Salvador, Ireuda afirmou que o Dia Internacional da Mulher deve ser também um momento de reflexão sobre a realidade enfrentada pelas brasileiras.
“Celebramos importantes conquistas ao longo da história. Hoje temos leis mais fortes, maior presença feminina em diversos espaços e uma consciência social maior sobre os direitos das mulheres. Mas esses avanços não podem nos fazer esquecer que ainda há uma longa caminhada pela frente”, afirmou Ireuda, criadora da Patrulha Guardiã Maria da Penha.
Praias e ilhas
Para a parlamentar, o crescimento dos casos de feminicídio demonstra que a violência de gênero continua sendo uma das expressões mais graves das desigualdades estruturais presentes na sociedade brasileira.
“Esses números são profundamente alarmantes. Cada feminicídio representa uma vida interrompida e uma família destruída. Quando vemos que o país registra o maior número de assassinatos de mulheres da última década, fica evidente que precisamos avançar muito mais na prevenção, na proteção e na responsabilização dos agressores”, declarou.
Ireuda destacou que, embora o Brasil possua marcos legais importantes — como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio —, ainda há desafios na aplicação efetiva dessas normas e na ampliação da rede de proteção às vítimas. Segundo ela, o combate à violência contra a mulher exige políticas públicas articuladas entre diferentes esferas de governo, além de investimento contínuo em prevenção e acolhimento.
“Não basta apenas punir depois que a violência acontece. Precisamos fortalecer as políticas de prevenção, ampliar os canais de denúncia, garantir acolhimento às vítimas e investir em educação para combater a cultura machista que ainda naturaliza a violência”, ressaltou.
A vereadora também destacou iniciativas desenvolvidas em Salvador que reforçam a rede de proteção às mulheres, como a Patrulha Guardiã Maria da Penha, voltada ao acompanhamento de mulheres que possuem medidas protetivas contra seus agressores.
“Quando o poder público atua de forma integrada, é possível salvar vidas. Precisamos ampliar e fortalecer essas políticas para garantir que nenhuma mulher fique desamparada”, afirmou.
Para Ireuda, o 8 de Março deve ser compreendido não apenas como uma data de celebração, mas como um momento de mobilização social.
“O Dia Internacional da Mulher é uma data de luta, de memória e de compromisso com o futuro. Precisamos transformar indignação em ação concreta para que nenhuma mulher perca a vida por causa da violência de gênero e para que possamos construir uma sociedade mais justa e igualitária”, concluiu.