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Da Redação
Perfis no TikTok têm publicado conteúdos que exaltam Adolf Hitler e o nazismo, tanto de forma explícita quanto por meio de códigos e símbolos utilizados para tentar contornar a moderação da plataforma e a legislação brasileira, que criminaliza a apologia ao regime.
Segundo o G1, a identificação das contas ocorreu após denúncia encaminhada por um leitor, que pediu para não ser identificado por segurança. Segundo o G1, após um monitoramento da rede social por quatro semanas foram encontrados ao menos 62 perfis com publicações de exaltação à ideologia nazista.
Em menos de três dias de acompanhamento, conteúdos com referências ao regime passaram a aparecer com frequência na aba “For You” (“Para Você”), página inicial do aplicativo. Conforme o monitoramento avançava, novos perfis com o mesmo teor passaram a ser recomendados pelo algoritmo, além de um grande volume de comentários favoráveis à ideologia.
O TikTok informou que removeu as postagens apontadas por violarem as Diretrizes da Comunidade. A empresa afirmou que não permite a disseminação de ideologias de ódio, incluindo alegações de supremacia, antissemitismo ou outras formas de preconceito, nem o uso de símbolos associados a movimentos extremistas.
Uso de códigos e “dog whistle”
Grande parte das publicações identificadas utiliza hashtags, emojis e siglas para fazer referências indiretas ao nazismo. Os códigos não foram divulgados para evitar sua propagação.
Em entrevista ao G1, as pesquisadoras Liriam Sponholz e Yasmin Curzi, especialistas em discurso de ódio, informaram que os conteúdos podem configurar apologia, mesmo quando recorrem a mecanismos de disfarce. Elas classificam essas estratégias como “dog whistle” — expressão usada para definir mensagens com duplo sentido, reconhecidas apenas por grupos familiarizados com a referência, mantendo margem para negação pública.
As publicações foram feitas em diversos idiomas, inclusive português. O TikTok não informa oficialmente o país de origem dos perfis, o que impede a confirmação da localização das contas.
Dados da plataforma tikip.us, que estima a origem de perfis com base em informações públicas, indicam que 15 das 62 contas analisadas estariam no Brasil. As demais teriam como provável origem países como Estados Unidos, Arábia Saudita, Alemanha, Belarus, Reino Unido e Polônia.