
O ex-prefeito Marcelo Crivella, expoente do conservadorismo religioso e aliado fiel do bolsonarismo, foi denunciado nesta quarta-feira pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por improbidade administrativa. Os promotores revelam um esquema de corrupção sistêmica que teria movimentado R$ 32 milhões em propinas durante sua gestão. Segundo a denúncia, Crivella não era apenas um beneficiário, mas um dos coordenadores de uma organização que fraudava contratos públicos para favorecer empresas privadas.
O ponto central do escândalo envolve um contrato bilionário de R$ 789 milhões com o grupo Assim Saúde. O Ministério Público afirma que o edital foi montado sob medida para direcionar o resultado, garantindo o negócio para a empresa. Em troca, o grupo teria devolvido cerca de 3% do valor total em pagamentos indevidos. Para lavar esse dinheiro, foram utilizados contratos de fachada com empresas que nunca prestaram os serviços prometidos, servindo apenas como duto para a corrupção.
A denúncia é abrangente e atinge outras 10 pessoas e 25 empresas ligadas ao esquema. O Ministério Público exige agora que os R$ 32 milhões roubados dos cofres públicos sejam devolvidos integralmente à população carioca. Além do ressarcimento, os promotores pedem a aplicação de multas pesadas e a suspensão dos direitos políticos de Marcelo Crivella e dos demais envolvidos, o que pode interromper a carreira política do atual deputado.
Marcelo Crivella tentou se defender alegando que a denúncia é uma perseguição política em período pré-eleitoral. Em nota, o deputado afirmou que o processo é uma repetição de narrativas antigas e que a modalidade de contratação da Assim Saúde foi legal. No entanto, o histórico de Crivella com a justiça já é extenso: no ano passado, ele teve R$ 50 milhões em bens bloqueados por suspeitas semelhantes em compras de equipamentos hospitalares durante a pandemia.
A investigação reforça o padrão de gestão da extrema direita, onde o discurso moralista muitas vezes serve de cortina de fumaça para o desvio de recursos públicos. Enquanto Crivella tenta se colocar como vítima, os dados do MP apontam para uma estrutura profissional de fraude que sangrou a prefeitura do Rio. A acusação de que ele ignorou licitações em favor de "credenciamentos" direcionados é apenas mais uma peça no quebra-cabeça de irregularidades de seu governo.
Com a denúncia formalizada, Crivella volta a enfrentar o desgaste de sua imagem pública, evidenciando o fracasso ético de seu mandato. O pedido de suspensão de seus direitos políticos ameaça suas futuras pretensões eleitorais, inclusive para o Senado. O caso agora segue na justiça, que decidirá se o ex-prefeito e seus cúmplices pagarão pelos danos causados à administração pública e pela coordenação do esquema de propinas milionárias.
Com informações do DCM
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