Exclusivo: Uma aula sobre a produção de vinhos artesanais com o enólogo Chung H. Liu



Foto: Divulgação


por José Falcón Lopes

Com uma carreira consagrada na área de Tecnologia da Informação (TI) nos Estados Unidos, Chung H. Liu trocou o trabalho como executivo no Vale do Silício, na Califórnia, pelo trabalho como enólogo na Serra Gaúcha, no Brasil.

Liu, como prefere ser chamado, atualmente se dedica à produção artesanal de três vinhos na Serra Gaúcha: com as castas brancas Riesling Renano e Chardonnay e com a casta tinta Cabernet Franc. Ele tem se destacado também no Instagram por meio do perfil @VinhosdoLiu, onde cria e publica conteúdos de muita qualidade sobre enologia e educação em vinhos.

De passagem por Salvador, cidade onde possui laços familiares, Liu conversou com exclusividade com a Coluna VinhosBahia. Ele elegeu seus espumantes e vinhos brasileiros favoritos e deu uma verdadeira aula sobre a produção artesanal de vinhos finos. Boa leitura.
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Coluna VinhosBahia: Você tem feito um trabalho pioneiro no Brasil como enólogo-educador. Mas antes de iniciar sua carreira no mundo dos vinhos, você foi um alto executivo de TI nos Estados Unidos. O que te levou a mudar tão radicalmente da TI para o vinho?
Liu: Eu cresci no Rio de Janeiro e sou formado em engenharia elétrica. Trabalhei muitos anos como engenheiro elétrico e na fase mais adiantada da minha carreira eu era um executivo, mas com bastante base técnica. Trabalhei por vários anos aqui no Brasil, mas também na Califórina (EUA), no Vale do Silício, e foi lá que eu comecei a me interessar mais por vinhos. O Vale do Silício fica perto de Napa Valley. Os primeiros vinhos que eu tomei foram de Napa. Aí fui expandindo para provar outras regiões da Califórnia, outras regiões do mundo e, a um certo ponto, pensei: gosto muito de vinhos, quero estudar mais sobre vinhos. Mas eu não queria ser um sommelier porque o seu trabalho específico é o serviço de vinhos. Eu queria algo mais próximo à engenharia e fazer vinhos tem muito de ciência envolvida, apesar das pessoas acharem que você bota lá as uvas e o vinho se faz. Isso é possível também. O vinho é feito há, no mínimo, seis mil anos, talvez até mais tempo do que isso.

Coluna VinhosBahia: O trabalho com a natureza, ao ar livre, é algo que te agrada?
Liu: Não, eu trabalho mais na vinificação. Eu prefiro trabalhar na cantina. O trabalho no campo, para ser sincero, é muito pesado. É importante, mas eu sou um cara que tem dificuldade de manter uma planta viva em casa. Então, no meu primeiro passo, não queria ser responsável pelo vinhedo. Eu comecei comprando uvas para vinificar dentro da cantina. No campo, eu vou durante o período antes da safra para acompanhar o desenvolvimento das frutas, o amadurecimento e escolher o momento da colheita para trazer as uvas na melhor condição possível e no ponto certo para fazer o vinho no estilo que eu gostaria de fazer.

Coluna VinhosBahia: Quais são os equipamentos que você utiliza na análise das uvas quando elas ainda estão no parreiral?
Liu: A gente colhe as amostras e as análises mais importantes são o potencial de álcool, que é relacionado à quantidade de açúcar, a acidez titulável e o pH. São equipamentos diferentes. Com isso você tem uma ideia de como vai ser o produto final. Tem muitas outras análises que você pode fazer, mas muito disso também é provar as uvas, acompanhar como está se desenvolvendo o vinhedo, as uvas, as fileiras. No olho dá para ver se a uva está chegando no ponto que você quer e você vai provando também. Mas isso você tem que fazer com cuidado porque o olho humano se deixa atrair pelo que é bonito. Sempre que você vai pegar para provar, você acaba pegando as uvas mais bonitas, as mais maduras, e aí pode ter uma avaliação diferente da média do vinhedo. Por exemplo, quando eu tô colhendo amostras, eu olho para o chão, não olho para as uvas. Aí caminho sete passos para o lado direito, coloco a mão e pego uma uva do cacho mais próximo, pego do meio. Vou do outro lado, não olho e pego um de baixo do cacho. Depois pego um de trás e outro de cima para ter uma amostragem. Aí junto uma quantidade de uvas, esmago e pego o suco, o mosto, e faço a análise no laboratório.

Coluna VinhosBahia: E você começou a produzir vinhos em 2023, na Califórnia?
Liu: Em 2023, eu comecei a estudar Enologia na U.C. Davis. Comecei a fazer o programa de Winemaking. Davis fica perto de Napa.

Coluna VinhosBahia: Quais foram os seus primeiros vinhos?
Liu: Meu primeiro estágio foi na Dehlinger Winery no Russian River Valley. Eles são especialistas em Pinot Noir, então trabalhei com uma grande quantidade de vinificações de Pinot Noir.
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