Brasileira é deportada de Portugal e separada dos filhos após voltar de férias; família denuncia falha em reagrupamento

 

Foto: Wikimedia Commons


Da Redação

Uma brasileira foi deportada de Portugal após ser detida no aeroporto de Lisboa ao retornar de férias com o marido e os filhos, de 8 e 6 anos. A mulher foi separada das crianças, que permanecem no país europeu com o pai, o advogado e administrador Hugo Silvestre, residente legal em Portugal. O caso ocorreu na última terça-feira (19).

Segundo Silvestre, a família vive há mais de dois anos em Cascais, região metropolitana de Lisboa, onde os filhos estudam. “Não estamos aqui clandestinamente. Eu tenho trabalho, meus filhos estudam aqui. Já fui e voltei inúmeras vezes ao Brasil e para outros lugares com minha família”, afirmou.

Na volta das férias, a esposa foi barrada pela polícia no aeroporto sob o argumento de que não possuía autorização de residência. Detida às 11h30, só teve acesso à defesa horas depois. No dia seguinte, às 16h30, foi embarcada para Recife, sem passaporte, segundo informações do G1.

O marido já havia solicitado o reagrupamento familiar — que estende a autorização de residência ao cônjuge e filhos —, mas o processo ainda está em tramitação. De acordo com as advogadas Tatiana Kazan e Rafaela Lobo, que representam a família, entrevistas previamente agendadas para análise do pedido não foram realizadas pela Agência para Integração, Migrações e Asilo (Aima).

“Elas entrou de forma regular e legal. Não conseguiu fazer o reagrupamento por ineficiência do governo”, afirmou Kazan.

A deportação ocorre em meio a mudanças recentes na política migratória portuguesa. Em julho, o parlamento aprovou um pacote que endurecia as regras de reagrupamento familiar, mas as medidas foram vetadas pelo Tribunal Constitucional em agosto. No mesmo período, o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) foi extinto e substituído por uma nova estrutura policial, criticada por especialistas por falta de preparo técnico para análise documental.

O Itamaraty informou, em nota, que acompanha o caso por meio do Consulado-Geral em Lisboa e que presta assistência consular à família. Enquanto isso, Hugo Silvestre tenta viabilizar o retorno da esposa. “Minha esposa está extremamente abalada, meus filhos também. Eles perguntam: ‘mamãe vai vir amanhã?’”, disse.
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