Mesmo sucedendo aliados, Jerônimo renova secretariado em 66%, mas sem esquecer dos padrinhos políticos




Da Redação

A partir de domingo (01), o PT iniciará um novo ciclo no comando do governo a Bahia, desta vez sob a batuta de Jerônimo Rodrigues, descendente de indígena. Apesar de representar a continuidade de 16 anos de gestão petista, o futuro chefe do Executivo estadual mostrou que não estava para brincadeira quando prometeu dar a própria cara à gestão. Sem deixar de ouvir com atenção os padrinhos políticos, o governador Rui Costa e o senador Jaques Wagner, o primeiro a quebrar a hegemonia carlista na disputa de 2006 para o Palácio de Ondina, Jerônimo promoveu uma renovação de 66% no primeiro escalão.

Apenas nove secretários de Rui Costa, a maioria quadros técnicos, foram mantidos em um total de 27 estruturas de primeiro escalão, o que inclui a Chefia de Gabinete e a Procuradoria Geral do Estado (PGE). Alguns desses que ficaram remetem ainda aos dois governos Jaques Wagner, como é o caso do economista Manoel Vitório, servidor público federal de carreira e que foi mantido na pasta da Fazenda (Sefaz), mas que na gestão do atual senador ocupou a titularidade da Administração (Saeb).

Outros quadros que também começaram com o ex-governador Jaques Wagner foram promovidos por Jerônimo. Este é o caso de Roberta Santana, que ocupou diversas funções estratégicas no estado a partir de 2007. Nos últimos 16 anos, ela exerceu cargos de chefia e direção na Embasa, Secretaria de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Secretaria da Educação (SEC) e, por fim, já com Rui Costa, chefe de gabinete da Secretaria de Saúde (Sesab). Jerônimo a escolheu para ser a secretária da Sesab.

O mesmo ocorreu com o administrador Cláudio Peixoto, quadro técnico que exerceu a função de superintendente de orçamento público na Secretaria de Planejamento (Seplan) durante muitos anos desde a gestão de Wagner. Ele também foi chefe da gabinete da mesma pasta, onde vinha desempenhando a atividade de secretário interino com Rui Costa, mas confirmado como titular no próximo governo por Jerônimo.

Apesar da renovação, o desenho do secretariado, que terminou de ser montado nesta quinta-feira (30), demonstra uma influência direta tanto de Wagner quanto de Rui Costa. Enquanto o senador emplacou a titular da Sesab, por exemplo, a atual secretária da pasta, a médica Adélia Pinheiro, nome da confiança do governador, foi anunciada para comandar a SEC. Entre os que permaneceram, Rui garantiu a manutenção do jornalista André Curvello na estratégica pasta da Comunicação (Secom).

Entre os novatos, Wagner assegurou a futura nomeação de dois assessores: o jornalista e produtor Bruno Monteiro para a Secretaria de Cultura (Secult) e a militante petista Elisângela dos Santos Araújo na pasta das Políticas para as Mulheres (SPM). Além disso, o enteado do senador, Eduardo Mendonça Sodré Martins, foi confirmado no comando do Meio Ambiente (Sema).

No total, os indicados pelo PT, Jaques Wagner, Rui Costa e o próprio Jerônimo somam 66% dos 27 cargos de primeiro escalão. Além da quantidade, esses quadros ficaram com as secretarias com os maiores orçamentos, como é o caso da Saúde e da Educação, e com as integrantes do chamado núcleo duro o governo, a exemplo da Fazenda, Casa Civil e Relações Institucionais.

Nenhum partido aliado ficou no comando de mais de duas secretarias. Nem mesmo o PSD do senador Otto Alencar. Jerônimo botou na conta da principal sigla aliada a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, com a reeleição garantida do atual presidente, o deputado Adolfo Menezes. O PSD pode ficar ainda com a presidência da União dos Municípios da Bahia (UPB).

As legendas contempladas com secretarias foram o PSD (2), MDB (2), PCdoB (2), PSB (1), Avante (1) e PV (1). Ficaram de fora do primeiro escalão o Patriota, o Podemos e a Rede, que reivindicam espaços no segundo escalão.
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