Uma caminhada extremamente bruta e insana





Por mais que eu tente explicar o quanto foi bruta, desgastante e puxada a nossa última caminhada, quem estiver lendo este texto provavelmente não terá noção da insanidade que alguns integrantes da Turma da Caminhada encararam no último domingo. Foi algo surreal.

Saímos de Ibicaraí (na entrada da cidade) às 5h40 da manhã, com destino à Pedra Lascada, na vizinha cidade de Barro Preto. Tínhamos um roteiro definido e uma distância aproximada de 40 quilômetros, o que, para a grande maioria dos seres humanos racionais, já seria uma bela demonstração de loucura.

O percurso de ida começou com quase 5 quilômetros de BR, pelo asfalto. Depois vieram 10,5 quilômetros de estrada rural e mais 2 quilômetros de uma imensa ladeira de pedras até o Balneário de Adilson, onde fizemos uma breve parada para tentar recuperar as energias antes de encarar a temida montanha da Pedra Lascada.

E aí começou outra história.

A subida é algo difícil de descrever. Já estávamos bastante cansados quando iniciamos os quase 4 quilômetros até o cume, ou ponto final da trilha. O trecho foi extremamente desgastante. Entre tombos, escorregões, tocos de madeira, árvores caídas, passagens perigosas e mata fechada, tivemos que literalmente abrir caminho no facão.

Foram cerca de 70 minutos de subida que pareceram uma eternidade.

Chegamos ao ponto final no limite da exaustão. E foi justamente ali, quando o corpo já não queria mais nada, que a natureza nos presenteou com uma das cenas mais bonitas que poderíamos imaginar.

Uma verdadeira imagem de cinema, a quase mil metros de altitude, com toda a imensidão do horizonte diante dos nossos olhos.

O sol nos abençoou. O ar extremamente puro parecia lavar a alma. Por alguns instantes, tivemos a sensação de que havíamos zerado o game.

Ficamos ali, em silêncio ou quase, simplesmente contemplando aquela paisagem. Naquele momento, todo o sofrimento da subida parecia ter valido a pena. Mas ainda tínhamos que voltar.

Descemos até o Balneário de Adilson novamente no limite das nossas forças. A água gelada da piscina natural foi um verdadeiro antídoto. Entrar naquela água foi como receber uma injeção de energia.

Ficamos alguns minutos no balneário, hidratando, descansando e recuperando o fôlego. Aproveitamos também para repor as energias com toda a comida que havíamos levado.

E então veio a parte que parecia interminável: mais 17 quilômetros de estrada até Ibicaraí. A estrada da Jussara parecia não acabar nunca.

Quando chegamos à Vila Emílio Izabel, por volta das 17 horas, alguns aventureiros já não tinham mais forças para praticamente nada. Alguns precisaram completar os últimos quilômetros de Uber ou mototáxi. Os demais, guerreiros continuaram caminhando até Ibicaraí.

Finalizamos a nossa caminhada na entrada da cidade por volta das 18 horas. Mais de 13 horas de caminhada.

Todos extremamente exaustos, cansados até a alma, mas também com aquela sensação indescritível de dever cumprido. Tínhamos acabado de fazer algo que, para pessoas normais, talvez pudesse ser considerado simplesmente insano.
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