Pescadores retiram cerca de 500 peixes-leão do mar em um mês em Porto Seguro



Foto: Fabio Borges/Acervo pessoal
Pesca


Da Redação

Pescadores de Porto Seguro, no extremo sul da Bahia, retiraram cerca de 500 peixes-leão do mar em um período de um mês. A espécie é considerada invasora e representa uma ameaça ao equilíbrio dos ecossistemas marinhos.

A ação é realizada pela Colônia de Pescadores em parceria com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac). Os exemplares capturados são entregues à colônia, e os pescadores recebem R$ 10 por peixe retirado.

Os animais são encaminhados para a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde passam por contagem, pesagem e medição. Os pesquisadores também vão analisar características como alimentação, tamanho, genética, origem e comportamento da espécie.

Os estudos ainda devem avaliar possibilidades de beneficiamento do pescado e eventual inserção dos peixes-leão em uma cadeia produtiva. Segundo a prefeitura, o incentivo financeiro aos pescadores será mantido por mais um mês.
Ciências aquáticas e marinhas



Espécie invasora

Originário do oceano Indo-Pacífico, o peixe-leão foi identificado pela primeira vez na Bahia em 2025, em Maraú, no baixo sul do estado. A espécie apresenta rápida capacidade de reprodução e pode produzir milhares de ovos e larvas ao longo dos ciclos reprodutivos.

O peixe também provoca impactos ambientais por consumir grandes quantidades de outros animais e não possuir predadores naturais capazes de controlar sua população nos ambientes onde foi introduzido.

Além dos riscos ao ecossistema, a espécie oferece perigo aos seres humanos. Na fase adulta, o peixe-leão pode apresentar até 18 espinhos venenosos. O contato com eles pode provocar dor, náuseas e, em casos mais graves, convulsões.

Outras espécies invasoras
Praias e ilhas



A presença de espécies exóticas invasoras também é registrada na Baía de Todos-os-Santos, em Salvador e na região metropolitana. Pesquisadores do Programa Ecológico de Longa Duração dos Ecossistemas Marinhos da BTS já identificaram 36 espécies invasoras no local.

Segundo especialistas, ainda não é possível dimensionar os impactos provocados por algumas espécies já estabelecidas no ambiente marinho. Nesses casos, as ações são concentradas no controle das populações.

Entre as espécies que apresentam impactos mais evidentes estão o coral-sol, coral-mole, siri-bidu e peixe-leão. Além de afetarem os ecossistemas, esses animais podem representar riscos para a pesca artesanal, atividade importante para a subsistência de pescadores e marisqueiras.

De acordo com Tiago Porto, diretor de Políticas e Planejamento Ambiental da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), a introdução de espécies exóticas invasoras na Baía de Todos-os-Santos ocorre principalmente de forma acidental.
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A dispersão pode acontecer pelo transporte de organismos presos aos cascos de navios e em estruturas marítimas, como plataformas de petróleo. No caso específico do peixe-leão, a espécie também pode se deslocar por meio das correntes oceânicas.
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