
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Da Redação
As denúncias de violência financeira contra idosos cresceram quase 30% no Brasil entre janeiro e abril deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O aumento acende um alerta para um tipo de crime que, na maioria das vezes, ocorre dentro da própria família e compromete a autonomia e a dignidade das vítimas.
Grande parte dos casos envolve filhos, netos, cônjuges, cuidadores ou pessoas de confiança que se apropriam de aposentadorias, pensões e patrimônio dos idosos. Entre os principais abusos estão empréstimos consignados fraudulentos, saques sem autorização, retenção de cartões e senhas e pressão para assinatura de procurações ou transferência de bens.
Especialistas alertam que idosos com limitações físicas, cognitivas ou em situação de isolamento social são os mais vulneráveis. Movimentações bancárias incomuns, empréstimos incompatíveis com a renda e alterações na titularidade de bens podem indicar exploração financeira.
Além dos prejuízos econômicos, esse tipo de violência provoca impactos emocionais, como ansiedade, depressão e perda da autoestima. Muitas vítimas deixam de denunciar por medo de romper vínculos familiares ou por não reconhecerem que estão sendo vítimas de um crime.
No Congresso Nacional, tramita um projeto que cria um programa nacional de combate à violência financeira contra idosos, com campanhas de conscientização, educação financeira e maior participação das instituições bancárias na identificação de operações suspeitas.
Casos de violência podem ser denunciados pelo Disque 100, que funciona gratuitamente, 24 horas por dia, além das delegacias especializadas, Polícia Militar, Ministério Público e Defensoria Pública.