
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Da Redação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para o uso da darolutamida no tratamento do câncer de próstata avançado. Com a decisão, o medicamento poderá ser utilizado em combinação apenas com a terapia de privação androgênica (ADT), dispensando a associação com quimioterapia em determinados pacientes.
Material de referência geográfica
Até então, a darolutamida era autorizada no Brasil apenas para pacientes com câncer de próstata hormônio-sensível metastático em combinação com ADT e quimioterapia. A ampliação da indicação foi baseada nos resultados do estudo clínico internacional de fase III ARANOTE.
Segundo os dados da pesquisa, a combinação da darolutamida com a terapia hormonal reduziu em 46% o risco de progressão radiológica da doença ou morte em comparação ao tratamento padrão. Entre pacientes com menor volume de metástases, a redução do risco chegou a 70%, enquanto nos casos com maior carga da doença foi de 40%.
O estudo também apontou maior tempo até o surgimento de dores relacionadas ao câncer e atraso na evolução para o estágio resistente à castração, quando o tumor deixa de responder ao bloqueio hormonal.
Além da eficácia, a pesquisa indicou bom perfil de segurança para o tratamento. De acordo com os resultados, a incidência de efeitos adversos, como fadiga, foi semelhante à observada entre pacientes que receberam placebo.
Outro estudo, o ARASEC, demonstrou redução de 50% no risco de morte e de 71% no risco de progressão da doença ou óbito entre pacientes tratados com darolutamida associada à terapia hormonal, em comparação com aqueles submetidos apenas à terapia de privação androgênica.
Pesquisadores também avaliaram os impactos do tratamento na função cognitiva. No estudo ARACOG, pacientes que utilizaram darolutamida mantiveram desempenho estável em testes cognitivos, enquanto outra terapia amplamente empregada apresentou sinais de declínio em algumas funções mentais.
Para o oncologista Denis Jardim, professor de pós-graduação do Hospital Sírio-Libanês, a aprovação representa um avanço nas opções terapêuticas para pacientes com câncer de próstata metastático, ampliando as possibilidades de controle da doença com manutenção da qualidade de vida.
O câncer de próstata é o segundo tipo de câncer mais frequente entre os homens no mundo e uma das principais causas de morte por câncer na população masculina. Nos casos em que a doença já apresenta metástases, a terapia de privação androgênica é considerada a base do tratamento. A nova indicação aprovada pela Anvisa amplia as alternativas para retardar a progressão da doença e reduzir a necessidade de quimioterapia em pacientes elegíveis.