PF cria delegacias no interior da Amazônia para frear avanço de facções e crimes ambientais



Foto: Divulgação


Da Redação

A Polícia Federal está implantando três novas delegacias no interior da Amazônia com o objetivo de reforçar o combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e aos delitos ambientais em áreas consideradas estratégicas da região. As unidades serão instaladas nos municípios de Tefé e Humaitá, no Amazonas, e Itaituba, no Pará.

A medida ocorre em meio ao avanço de facções criminosas na Amazônia. Levantamentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e de especialistas em segurança pública apontam que o Comando Vermelho tem ampliado sua presença na região, especialmente por meio de conexões com narcotraficantes da Colômbia.
Serviços Brasil



Segundo o coordenador-geral de Proteção da Amazônia, Meio Ambiente e Patrimônio Histórico e Cultural da Polícia Federal, o delegado Renato Madsen Arruda, a unidade de Tefé deverá concentrar esforços no enfrentamento ao tráfico de drogas. Localizado às margens do rio Solimões, o município é considerado uma das principais rotas de circulação de entorpecentes na região amazônica.

Além do tráfico, relatórios de inteligência apontam que Tefé desempenha papel relevante na logística do garimpo ilegal. O município e a vizinha Coari funcionariam como centros de abastecimento para áreas de extração clandestina de ouro, especialmente na região de fronteira com a Colômbia.

Parte do minério extraído ilegalmente seria comercializada sem qualquer registro formal, enquanto outra parcela seguiria para Itaituba, município paraense conhecido como um dos principais polos de comercialização de ouro do país. Segundo os relatórios, a cidade é apontada como um centro de “esquentamento” do minério, onde o ouro ilegal seria inserido na cadeia formal por meio de documentação fraudulenta.

Itaituba também é considerada estratégica pela localização. O município é cortado pela BR-163, que liga Mato Grosso ao Pará, e pela Rodovia Transamazônica, fatores que favorecem a circulação de pessoas, mercadorias e atividades ilícitas.

Já Humaitá foi escolhida por sua posição logística e pela proximidade com áreas de preservação ambiental, terras indígenas e regiões de intensa atividade garimpeira. A cidade é atravessada pela BR-319, que conecta Manaus a Porto Velho, e está próxima ao rio Madeira, uma das principais áreas de exploração de ouro da Amazônia.

Especialistas avaliam que a presença permanente da Polícia Federal pode fortalecer não apenas ações repressivas, mas também a capacidade investigativa do Estado. Para a diretora de pesquisa do Instituto Igarapé, Melina Risso, a instalação das delegacias amplia as condições para investigar redes criminosas complexas e responsabilizar integrantes por crimes conexos, como corrupção, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro.

O delegado Renato Arruda destaca ainda a existência de um fenômeno conhecido como “convergência criminal”, no qual diferentes modalidades de crime passam a compartilhar infraestrutura e logística para ampliar lucros. Entre os exemplos citados estão o uso de aeronaves e rotas clandestinas tanto por traficantes de drogas quanto por garimpeiros ilegais.

A Polícia Federal informou que já iniciou a aquisição de equipamentos e veículos para as novas unidades. O efetivo será composto, em parte, por policiais que concluirão formação nos próximos meses na academia da instituição.
Postagem Anterior Próxima Postagem

Leia o texto em voz alta:



Esta imagem está protegida. Copiar não é permitido.