
Foto: Divulgação
Da Redação
A Justiça da Bahia determinou que a Neoenergia Coelba apresente, em até 30 dias, um plano para adequar a rede elétrica na região de Praia do Forte, em Mata de São João, após sucessivos registros de morte de animais silvestres por eletrocussão. A decisão também obriga a concessionária a repassar mensalmente R$ 61,5 mil para ações emergenciais de conservação da fauna. Em caso de descumprimento, a multa diária será de R$ 10 mil.
Entretenimento na Bahia
A decisão, assinada pela juíza Lina Magna Andrade Sena Santos, reconhece a relação entre a rede elétrica e a morte de animais, especialmente da preguiça-de-coleira-do-nordeste, espécie ameaçada de extinção. Segundo estudos apresentados no processo, os animais utilizam os fios como rota de deslocamento entre fragmentos de Mata Atlântica e acabam sofrendo choques em equipamentos sem proteção adequada.
Levantamento do Instituto Preguiça-de-Coleira aponta que cerca de 24 animais morreram eletrocutados na região nos últimos três anos. Laudos da Universidade Federal da Bahia (Ufba) confirmaram lesões compatíveis com descargas elétricas.
A ação foi movida pelo Ministério Público da Bahia após reunir estudos científicos, relatórios técnicos e registros de monitoramento da espécie. A Justiça entendeu que a concessionária tinha conhecimento dos riscos e que as medidas adotadas até então foram insuficientes para evitar novas ocorrências.
Além do caso envolvendo as preguiças, ambientalistas também alertam para o aumento das mortes da arara-azul-de-lear no semiárido baiano. Dados da Associação Jardins da Arara de Lear indicam que 196 aves da espécie foram encontradas mortas entre 2008 e maio de 2026, sendo a eletrocussão uma das principais causas registradas.
A decisão determina ainda que a Coelba apresente um plano detalhado com mapeamento das áreas críticas, cronograma de adequação da rede e indicadores para avaliar a eficácia das medidas de proteção à fauna.