
Ilhéus, no sul da Bahia, será palco de um dos mais importantes eventos da cacauicultura brasileira em 2026. O IV Encontro Nacional do Projeto Cacau 500+Sustentável, que acontecerá entre os dias 9 e 13 de dezembro no Centro de Convenções, reunirá especialistas, produtores, pesquisadores e representantes institucionais para discutir caminhos concretos de enfrentamento às crises econômicas e ambientais que afetam o setor.
Entre os principais eixos do evento estão a verticalização da produção — estratégia que busca agregar valor ao cacau por meio da industrialização local —, a diversificação de culturas e a adoção de sistemas agroflorestais, considerados alternativas sustentáveis e resilientes frente às mudanças climáticas e oscilações de mercado.

A programação também destacará o legado científico da CEPLAC, responsável por mais de seis décadas de produção técnico-científica voltada ao desenvolvimento da cacauicultura no país. Ao longo do encontro, serão resgatadas contribuições históricas de pesquisadores, extensionistas e cientistas que ajudaram a construir o conhecimento sobre o cultivo do cacau no Brasil.
Nomes relevantes da área serão homenageados durante o evento, como o botânico André Maurício de Carvalho e o pesquisador Paulo Alvim (in memoriam), além de outros profissionais que marcaram a história da pesquisa e da extensão rural no país. As homenagens buscam valorizar a chamada “teia científica” construída ao longo de mais de 60 anos de atuação.

Outro destaque será a participação da CATI, órgão do Governo de São Paulo, cuja experiência na assistência técnica e extensão rural será apresentada como referência nacional. Segundo a organização, iniciativas paulistas tiveram inspiração direta no conhecimento gerado pela CEPLAC, evidenciando a importância da instituição baiana para o desenvolvimento da cadeia produtiva do cacau em outras regiões do país.
Além do resgate histórico, o encontro também fará um alerta sobre os desafios atuais da pesquisa e da extensão rural na Bahia. Especialistas apontam a redução no número de pesquisadores e o enfraquecimento das ações de extensão como fatores preocupantes para o futuro da cacauicultura, especialmente diante de ameaças fitossanitárias como a monilíase — doença ainda não presente na região, mas considerada um risco iminente.
Erlon Botelho
Erlon BotelhoPara os organizadores, é urgente promover a transferência de conhecimento entre pesquisadores aposentados e novas gerações, garantindo a continuidade de estudos estratégicos e a formação de sucessores em áreas-chave.
O evento, promovido pelo Instituto Chocolate, também dará protagonismo aos engenheiros agrônomos Ivan Costa e Rosenilton Klécio, reconhecidos como precursores do Projeto Cacau 500+, que serão destaques na programação técnica.

Além dos debates e homenagens, o encontro contará com uma feira de negócios e tecnologia, promovendo a integração entre produtores, empresas e instituições, bem como a participação ativa de municípios com experiências exitosas na cadeia produtiva do cacau.
A programação inclui ainda cursos de capacitação com foco prático em temas estratégicos como implantação de sistemas agroflorestais, polinização, verticalização da produção e implantação de unidades do Projeto Cacau 500+.

Como diferencial, o evento promoverá dias de campo em fazendas que já contam com unidades implantadas do Projeto Cacau 500+, permitindo aos participantes vivenciar na prática os resultados das tecnologias e modelos produtivos apresentados, fortalecendo a troca de experiências e a difusão de boas práticas no campo.
O IV Encontro Nacional do Projeto Cacau 500+ se propõe, portanto, não apenas como espaço de debate técnico, mas também como um chamado às autoridades políticas e científicas. A mensagem é clara: sem investimento em pesquisa e extensão, o setor pode enfrentar graves consequências no futuro.
Para os organizadores, é urgente promover a transferência de conhecimento entre pesquisadores aposentados e novas gerações, garantindo a continuidade de estudos estratégicos e a formação de sucessores em áreas-chave.