É curioso observar que muitas das mesmas pessoas que hoje reclamam do preço dos combustíveis foram as que defenderam (ou simplesmente se calaram) diante das privatizações de ativos estratégicos do país.
Em 2019, a BR Distribuidora (hoje Vibra Energia) foi vendida. Em 2021, foi a vez da Refinaria Landulfo Alves, aqui na Bahia, arrematada pelo fundo Mubadala Capital por US$ 1,65 bilhão e rebatizada como Refinaria de Mataripe, um valor amplamente questionado por especialistas, considerado abaixo do potencial da unidade.
O impacto dessas decisões não demorou a aparecer. Com a guerra e a instabilidade no mercado internacional de petróleo, os novos controladores passaram a adotar políticas próprias de preços. E aí está o ponto: a Petrobras já não tem o mesmo poder de intervenção sobre esses ativos.
O resultado? O consumidor sente diretamente na bomba. Preços mais altos, menor controle interno e maior exposição às variações do mercado externo.
Privatizar pode até ser uma estratégia em determinados contextos, mas é preciso discutir as consequências antes de vender, especialmente quando se trata de setores essenciais como energia e combustíveis.
Por isso, antes de reclamar, é importante lembrar: decisões políticas têm efeitos práticos. E, muitas vezes, o preço dessas escolhas chega, inevitavelmente, no bolso de todos nós.
Na prática o que fizeram foi: vender a casa própria e com o dinheiro da venda, alugar a mesma casa para morar de aluguel e sem ter direitos sobre a casa que antes era sua...ou nossa!
Isso é privatizar! Então não vale reclamar!
Arnold Coelho
Privatizar nossas riquezas é um ato de burrice ou de mal caratismo
