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Da Redação
Conhecida pelas trilhas e cachoeiras, a Chapada Diamantina passa a ocupar também espaço no debate sobre saúde pública. Em janeiro de 2026, a Associação Chapada Diamantina de Pacientes e Estudos da Medicina Canábica (ACDC), sediada em Ibicoara, obteve na Justiça autorização para cultivar e produzir medicamentos à base de Cannabis para fins terapêuticos, decisão inédita na região.
A autorização foi concedida por meio de habeas corpus coletivo preventivo, instrumento que garante segurança jurídica à entidade e aos seus associados. A medida é considerada um marco para o interior da Bahia, ao levar o tema da Cannabis medicinal para além dos grandes centros urbanos.
Atualmente, a ACDC reúne mais de 450 associados e conta com laboratório, equipe multidisciplinar e sistema de cadastro. Antes da decisão, o cultivo ocorria sob o que os dirigentes classificam como desobediência civil. Com o respaldo judicial, a produção passa a ser feita dentro de regras específicas e sob fiscalização.
O habeas corpus assegura o direito constitucional à saúde.
No entanto, a decisão impõe obrigações à entidade. A cada seis meses, a associação deve apresentar relatório detalhado ao Ministério Público com informações sobre todo o processo, da germinação ao fornecimento do medicamento. Prescrição médica e relatório clínico são exigências obrigatórias.
A associação atua majoritariamente com população de baixa renda. Pacientes que comprovam hipossuficiência podem receber o medicamento gratuitamente. Sem fins lucrativos, a entidade afirma que os recursos arrecadados são destinados a custeio e manutenção das atividades.
A sede funciona na zona rural de Ibicoara, na localidade de Campo Redondo, e atende principalmente moradores da Chapada e municípios vizinhos, além de pacientes de outras regiões da Bahia.