Especialistas da Afya Salvador e Afya Vitória da Conquista falam sobre os impactos da sobrecarga na saúde física e mental das mulheres baianas
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Salvador, 6 de março de 2026 – Trabalhar fora de casa, cuidar dos afazeres domésticos e dos filhos é somente uma das poucas atribuições da mulher. No mês dedicado a elas, especialistas reforçam que o autocuidado ainda é um desafio para muitas baianas.
Se acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), menos da metade das mulheres entre 25 e 64 anos em Salvador realizou o exame preventivo do colo de útero em 2024, mesmo com o serviço disponível gratuitamente na rede pública e o estado tendo sediado, em 2025, o lançamento nacional das novas diretrizes para rastreamento desse tipo de câncer, a estimativa ainda está aquém da meta de 70% recomendada pela Organização Mundial da Saúde.
Além disso, o Ministério da Saúde aponta que as doenças ginecológicas infecciosas, como HPV, candidíase e vaginose bacteriana, ainda estão entre as principais causas de procura por atendimento feminino nos postos de saúde da capital baiana.
Para a ginecologista e professora da Afya Salvador, Ludmila Andrade, entre as principais causas para o baixo índice estão associadas à faixa etária: “são mulheres que normalmente trabalham fora, cuidam da casa, dos filhos e muitas vezes até dos pais, então elas acabam sempre deixando para depois. No entanto, há outras causas, como o horário das Unidades de Saúde, que só funcionam no horário comercial, quando essas mulheres estão no trabalho. Associado a isso temos as experiências anteriores negativas, como, por exemplo, o exame ter sido muito doloroso, o atendimento que foi impessoal, a falta de privacidade adequada, falta de um acolhimento adequado, tudo isso faz com que elas se afastem por medo e desconforto. Além disso, existem as questões relacionadas ao tabu, à vergonha, o constrangimento de ficar nua, de expor o corpo, medo de julgamento por conta da sua vida sexual. Mas precisamos destacar também aquelas mulheres que não fazem o exame por não sentirem nada. Outra questão que é menos frequente, mas que não podemos afastar é o medo que algumas pessoas têm simplesmente do resultado e, por isso, negam a realização dos exames”, destaca a especialista.
A rotina acelerada também é responsável pela sobrecarga emocional e estresse de uma série de alterações hormonais que afetam diretamente a fertilidade, o sono e o bem-estar das mulheres. Segundo Mila Motta, mestre em psicologia da saúde e professora do curso de Medicina da Afya Vitória da Conquista, essas dificuldades estão fortemente ligadas a fatores socioculturais. “A socialização feminina ainda é marcada por expectativas de cuidado, responsabilidade pelo bem-estar coletivo e desempenho elevado em múltiplos papéis. Estudos apontam que mulheres tendem a apresentar maior autocrítica e maior propensão à ruminação, o que pode aumentar a vulnerabilidade à depressão”, alerta a psicóloga.
Levantamento realizado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) apontou que, o número de atendimento de mulheres com ansiedade e depressão aumentou 22% em 2024, sendo que aquelas com idade de 30 a 49 anos são as mais afetadas.
Ainda segundo a professora da Afya Salvador, as mulheres desconhecem que o estresse interfere diretamente na saúde ginecológica. “Quando estamos sob estresse, elevamos o cortisol, diminuímos a resposta de imunidade celular, a produção de citocinas pró-inflamatórias que seriam eficazes contra o HPV, aumentando as chances de lesões no colo do útero. No caso da candidíase, o estresse crônico gera um desequilíbrio das bactérias da vagina, altera o pH, reduz a quantidade de lactobacilos, que são as bactérias protetoras e altera a resposta imunológica e isso consequentemente ajuda na persistência no aparecimento do fungo”.
Segundo o Ministério da Saúde, 38% das mulheres baianas relatam sintomas emocionais frequentes, como a ansiedade e a insônia (Ministério da Saúde), problemas que podem se agravar em casos de ovários policísticos e disfunções menstruais.
Para a professora e psicóloga Mila Motta, a cultura da “mulher que dá conta de tudo” reforça a ideia de que pedir ajuda é sinal de fraqueza, favorecendo o sofrimento silencioso e a negligência com a saúde mental e física. A especialista deixa algumas estratégias importantes para uma rotina menos cansativa: estabelecimento de limites claros e realistas, redistribuição consciente das tarefas domésticas e familiares, desenvolvimento de autocompaixão, associada a menores níveis de ansiedade e depressão, busca por acompanhamento psicológico quando necessário, fortalecimento da rede de apoio e inserção de pequenas pausas intencionais de autocuidado na rotina. “Cuidar da saúde mental não é egoísmo. É uma condição essencial para sustentar qualquer papel social de forma saudável e sustentável ao longo do tempo, alerta a professora.
Sobre a Afya
A Afya, maior ecossistema de educação e soluções para a prática médica do Brasil, reúne 37 Instituições de Ensino Superior, 32 delas com cursos de Medicina e 25 unidades com pós-graduação e educação continuada em áreas médicas e de saúde em todas as regiões do país. O grupo conta com 3.766 vagas de Medicina aprovadas pelo MEC e, nos últimos 25 anos, já formou mais de 24 mil alunos.
Pioneira em práticas digitais para aprendizagem contínua e suporte ao exercício da Medicina, 1 a cada 3 médicos e estudantes de Medicina no país utiliza ao menos uma solução digital do portfólio, como Afya Whitebook, Afya iClinic e Afya Papers.
Primeira empresa de educação médica a abrir capital na Nasdaq em 2019, a Afya recebeu prêmios do jornal Valor Econômico, incluindo "Valor Inovação" (2023) como a mais inovadora do Brasil e "Valor 1000" (2021, 2023, 2024 e 2025) como a melhor empresa de educação. Virgílio Gibbon, CEO da Afya, foi reconhecido como o melhor CEO na área de Educação pelo prêmio "Executivo de Valor" (2023).
Em 2024, a empresa passou a integrar o programa "Liderança com ImPacto", do Pacto Global da ONU no Brasil, como porta-voz da ODS 3 - Saúde e Bem-Estar.
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