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Wesley Faustino*
A história da Coca-Cola não é apenas a narrativa de uma bebida que se tornou um fenômeno global, mas sim uma lição de como o design industrial pode se transformar em um patrimônio cultural. Desde o seu nascimento em uma farmácia de Atlanta em 1886, a marca entendeu que, para conquistar o mundo, precisaria de uma identidade visual que fosse, literalmente, inconfundível.
No entanto, o ícone que conhecemos hoje nem sempre teve as curvas famosas; ele foi fruto de uma necessidade urgente de sobrevivência comercial. No início do século XX, entre 1900 e 1915, a Coca-Cola enfrentava um problema logístico e de marca: a pirataria. O xarope era engarrafado em frascos de vidro reto, genéricos, que qualquer concorrente — como a “Koka-Nola” ou a “Tokola” — podia copiar facilmente.
Naquela época, os rótulos eram de papel e se soltavam facilmente quando as garrafas eram mergulhadas em barris de gelo. A empresa percebeu que precisava de uma embalagem que pudesse ser reconhecida pelo tato, no escuro, ou mesmo se estivesse quebrada no chão.
Essa necessidade deu origem, em 1915, à lendária garrafa Contour. Projetada pela Root Glass Company, sua silhueta foi inspirada nas curvas e sulcos de uma fava de cacau. Embora o ingrediente não fizesse parte da fórmula, a estética orgânica e robusta garantiu à marca a exclusividade desejada.
Ao longo das décadas seguintes, essa garrafa evoluiu sutilmente, ganhando o apelido de “Garrafa de Natal” na década de 1920 e tornando-se, em 1950, o primeiro produto comercial a ilustrar a capa da revista Time, consolidando-se como um símbolo do American Way of Life.
A segunda metade do século trouxe a era da praticidade. Em 1955, a Coca-Cola rompeu a tradição do tamanho único de 6,5 onças (cerca de 190ml) para introduzir as versões King Size e familiar, adaptando-se ao novo perfil do consumidor do pós-guerra, que buscava conveniência e maiores quantidades. Nos anos 60 e 70, a introdução das latas de alumínio e, posteriormente, das garrafas de plástico PET em 1993, democratizaram o acesso à bebida, mas sempre tentando mimetizar as curvas clássicas que o vidro imortalizou.
Hoje, a evolução continua com um foco renovado em sustentabilidade. A introdução da PlantBottle e o uso de alumínio reciclado mostram que a marca tenta equilibrar sua herança histórica com as exigências ambientais do século XXI. Do vidro reto de 1900 aos materiais biodegradáveis de hoje, a trajetória da garrafa de Coca-Cola é a prova de que, no mundo dos negócios, a forma é tão vital quanto o conteúdo
Encontrei essas réplicas das garrafas na casa de meu primo Linvaldo Soares Pereira, um ubatense residente em Salvador – um museu ele tem em casa com várias coleções obras de artes, discos de vinil, utensílios domésticos (ferros antigos, máquina de costura etc).
Praias e ilhas
Esse Pack de Garrafas Históricas de 2015 fez parte das celebrações globais dos 100 anos da Garrafa Contour (a famosa garrafa curvilínea patenteada em 1915). No Brasil, o kit chegou às prateleiras entre novembro e dezembro daquele ano, sendo vendido em supermercados, hipermercados e lojas de conveniência como uma edição limitada.
*Wesley Faustino é pesquisador, historiador, escritor, especialista em Gestão Pública e Gestão Ambiental e ex-vice-prefeito de Ubatã.

