César Porto foi direto ao ponto ao afirmar que há secretários que simplesmente ignoram mensagens, não respondem ofícios e tratam parlamentares “como se fossem qualquer um”. O presidente ainda fez questão de puxar da memória um episódio sensível da política local: a cassação do pai do atual prefeito, ocorrida em 2006. Ao declarar que está “revendo o mesmo filme”, deixou no ar uma frase com peso de ameaça institucional, sugerindo que a história pode, sim, flertar com a repetição.
Mas o incêndio não parou por aí. A vereadora Enilda Mendonça (PT) elevou o tom ao abrir a Lei Orgânica do Município em pleno plenário e destacar que o não atendimento de requerimentos parlamentares pode configurar infração político-administrativa — passível de cassação de mandato. Foi o momento em que o debate saiu do campo político e encostou perigosamente no jurídico. Também engrossaram o coro de críticas os vereadores Mário Galvão (PSB), Paulo Carqueija (PSD) e outros parlamentares, todos apontando falhas na comunicação e na condução da relação institucional por parte do governo.
O turbilhão político rapidamente ultrapassou as paredes do Legislativo e foi desaguar no bairro da Conquista, onde fica o Centro Administrativo da Prefeitura de Ilhéus. O recado foi dado em alto e bom som: a Câmara exige respeito, diálogo e resposta. Caso contrário, o clima que já é de tempestade pode evoluir para algo ainda mais devastador no cenário político ilheense.
