Rusgas entre Bolsonaro e Valdemar vão além de elogio a Lula; veja os episódios




A relação de Jair Bolsonaro com o presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, sempre foi marcada por desentendimentos. Os dois se estranham desde que o ex-presidente se filiou à sigla em 2021.

Nos últimos meses, Bolsonaro e o dirigente partidário adotaram posições contrárias em temas como as eleições municipais de 2024 e a reforma tributária, levando o ex-chefe do Executivo a criticar Valdemar para aliados ou expor publicamente os desentendimentos entre os dois.

A confusão atual teria ocorrido porque Valdemar elogiou os mandatos anteriores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que “não há comparação” entre o petista e Bolsonaro. Na gravação de 15 de dezembro, que ganhou repercussão na última sexta-feira, 12, o presidente do PL disse também que Lula tem “prestígio”, enquanto o correligionário possui “carisma”.

“Lula não tem comparação com Bolsonaro, completamente diferente. O Lula tem muito prestígio, não o carisma que Bolsonaro tem, mas tem popularidade, é conhecido por todos os brasileiros. O Bolsonaro, não, pois tem um mandato só”, afirmou Valdemar.

Bolsonaro reagiu à fala do dirigente da sua legenda e disse, em uma conversa com apoiadores no litoral do Rio, que “declarações absurdas” de “uma pessoa do partido” podem implodir a sigla.

Diante das críticas recebidas por apoiadores de Bolsonaro, Valdemar usou as redes sociais no sábado, 13, para endossar a aliança com o ex-presidente. “Quem não tem lealdade e fidelidade tem vida curta na política. Sou leal ao Bolsonaro e fiel aos meus princípios. Quem me conhece sabe que minha palavra não faz curva”, afirmou.

Brigas passadas – Em maio do ano passado, Bolsonaro e Valdemar tiveram uma rusga sobre as eleições de 2024. Segundo a Coluna do Estadão, aliados disseram que o presidente do PL se incomodou com o fato de o ex-presidente priorizar amigos para as pré-candidaturas, sem levar em consideração as melhores estratégias eleitorais para o pleito deste ano.

Valdemar se dispôs a acatar algumas sugestões do ex-presidente de candidatos para as eleições municipais, mas não todas. O presidente do PL garantiu a Bolsonaro o direito a bater o martelo em cidades estratégicas onde candidatos bolsonaristas tiveram um bom desempenho em 2022. No entanto, a carta branca para o ex-presidente não se estende a locais onde bolsonaristas não conseguiram ser eleitos.

No fim de novembro, Bolsonaro mostrou atritos com o dirigente partidário para escolha das pré-candidaturas municipais. No lançamento do PL+60, movimento da sigla destinado a incentivar o desenvolvimento de políticas públicas para idosos, o ex-presidente afirmou que precisa, às vezes, “engolir” os postulantes propostos por Valdemar.

“Na medida do possível, eu me coloco no lugar dele (Valdemar) e ele se coloca no meu lugar. Para podermos crescer, temos que abrir mão. Então, por vezes, eu engulo o candidato do Valdemar, depois ele engole um candidato meu”, afirmou Bolsonaro.


No fim de outubro, Valdemar foi alvo de críticas de apoiadores de Bolsonaro após declarar apoio à pré-candidatura de Lucas Sanches, ex-membro do Movimento Brasil Livre (MBL), para a Prefeitura de Guarulhos. Nas redes sociais, o presidente do PL foi acusado por influenciadores de tentar “destruir Bolsonaro” e de promover “politicagem suja e mercenária”.

Confusão com Flávio Bolsonaro – As discussões sobre pré-candidatos provocaram atritos também entre o presidente do PL e um dos filhos do ex-presidente, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No início de novembro, Valdemar afirmou que a candidatura do deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem (PL-RJ) para a disputa da Prefeitura do Rio já estava consolidada. Em nota, Flávio contestou o dirigente e disse que “o martelo não está batido” para a indicação do representante da sigla no pleito.
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