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Da Redação
A Justiça de Alagoas intimou Cláudia Pollyanne Farias de Sant’Anna, morta em agosto de 2025, a prestar depoimento no processo que apura as circunstâncias de sua morte em uma clínica clandestina de reabilitação em Marechal Deodoro, na região metropolitana de Maceió. O erro ocorreu em setembro deste ano, quando um oficial de Justiça foi ao endereço indicado para entregar a notificação.
A intimação foi expedida em 11 de setembro, com convocação para uma audiência marcada para 14 de outubro. Cinco dias depois, o oficial tentou localizar Cláudia, mas devolveu o mandado informando apenas que ela não morava no endereço. A morte da vítima, no entanto, era justamente o objeto da investigação criminal.
“Não é um ato comum, acredito que foi alguém que não prestou atenção no que estava fazendo. Eu, particularmente, nos meus anos de advocacia, nunca vi se intimar uma vítima morta. O processo penal só está instaurado, inclusive, para apurar a morte dela”, afirmou o advogado Napoleão Lima Júnior, assistente de acusação no caso.
Segundo o advogado, o equívoco não provocou prejuízo ao andamento do processo. A audiência tinha como objetivo ouvir outras partes e acabou adiada após ele solicitar o adiamento, por não ter sido intimado dentro do prazo necessário.
Em nota, a 2ª Vara Cível e Criminal da Comarca de Marechal Deodoro lamentou o ocorrido e informou que as providências para corrigir o erro e apurar as circunstâncias já estão sendo adotadas. A unidade também afirmou que pretende evitar a repetição de situações semelhantes e reafirmou seu compromisso com a responsabilidade e o respeito aos cidadãos.
Uma comissão de amigos que acompanha o caso também manifestou surpresa com a intimação. Em nota enviada ao UOL, o grupo afirmou que a busca por justiça continua e defendeu o esclarecimento de todas as circunstâncias do caso.
Morte ocorreu em clínica clandestina
Cláudia Pollyanne era esteticista, tinha 41 anos e morreu em 9 de agosto de 2025, enquanto estava internada em uma clínica clandestina de reabilitação em Marechal Deodoro. Ela havia sido internada involuntariamente a pedido de uma tia cerca de um ano e três meses antes da morte, segundo as informações do caso. A investigação apontou que a internação ocorreu de forma ilegal, sem autorização judicial e sem respaldo técnico adequado.
De acordo com a apuração, o responsável pela clínica deixou Cláudia em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do município e saiu do local. A equipe médica constatou que ela já chegou sem vida, com estimativa de que a morte tivesse ocorrido cerca de quatro horas antes. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou sinais de agressões físicas e intoxicação por medicamentos.
O Ministério Público de Alagoas denunciou três pessoas, duas delas ligadas à clínica, por homicídio qualificado, cometido de forma cruel e sem possibilidade de defesa da vítima. Os três denunciados e a tia de Cláudia também respondem por sequestro e cárcere privado.
A denúncia foi recebida em 31 de março pela juíza Fabíola Melo Feijão. O processo está na fase de instrução, destinada à produção de provas e à oitiva dos envolvidos.