Vorcaro manteve contatos com cinco ministros do STF, aponta levantamento



Foto: Reprodução


Da Redação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, manteve contatos de diferentes naturezas com pelo menos cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo mensagens extraídas de seu celular, documentos da Polícia Federal e informações divulgadas pela imprensa. Os registros envolvem relações profissionais e sociais com pessoas próximas aos magistrados, além de contratos e conversas atribuídas diretamente a ministros.

As informações ganharam destaque após a sessão do STF desta terça-feira (15), que analisou questões relacionadas às investigações sobre a atuação do ministro Alexandre de Moraes no caso Master. A Corte não decidiu sobre a abertura de uma investigação contra Moraes. O ministro Flávio Dino pediu vista durante a discussão sobre a reunião dos procedimentos que envolvem Moraes e André Mendonça.

O julgamento também teve o afastamento de Kassio Nunes Marques, que se declarou impedido, e de Dias Toffoli, que alegou foro íntimo.

Alexandre de Moraes

A relação mais diretamente investigada pela PF envolve Alexandre de Moraes. Mensagens mostram que Vorcaro procurou o ministro em novembro de 2025, antes de ser preso, para perguntar sobre a possibilidade de deixar o Brasil. Em outra conversa, questionou se o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, poderia adiar o cumprimento de medidas cautelares.
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Poucas horas antes da prisão, Vorcaro voltou a perguntar a Moraes se havia alguma novidade e se ele havia conseguido “bloquear” as medidas. O ex-banqueiro foi preso pela PF em 17 de novembro, quando tentava embarcar em um jato particular.

O relatório também menciona contratos entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Um acordo firmado em janeiro de 2024 previa 36 pagamentos mensais de R$ 3 milhões. Um segundo contrato, de maio de 2025, envolveu R$ 50 milhões e duas aeronaves vinculadas à empresa Viking Participações.

Segundo a PF, Moraes aparece como responsável por alterações em arquivos relacionados ao primeiro contrato. O ministro nega irregularidades e acusações de favorecimento.

André Mendonça

André Mendonça aparece no material por meio do advogado Ciro Soares, apontado como próximo do ministro e responsável por intermediar contatos entre Mendonça e Vorcaro.

Em outubro de 2024, Soares comemorou com Vorcaro uma decisão de Mendonça que concedeu habeas corpus ao então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. As mensagens também registram a atuação do advogado na aproximação entre o ministro e o ex-banqueiro.

Mendonça posteriormente passou a ocupar posição central na investigação do caso Master ao tornar público material da PF sobre a relação entre Vorcaro e Moraes.

Dias Toffoli

As referências a Dias Toffoli estão relacionadas principalmente ao fundo de investimento Arleen e ao resort Tayayá, no Paraná.

Segundo relatório da PF obtido pela Revista Piauí, Vorcaro repassou R$ 35 milhões ao fundo, que tinha participação no empreendimento ligado à família do ministro. A PF levantou a hipótese de que Toffoli pudesse ser beneficiário final ou proprietário de fato do Arleen.

Toffoli nega ter recursos no exterior e qualquer irregularidade. O ministro também foi citado em uma disputa envolvendo a destilaria Alcídia, do grupo Atvos, que tinha relação com o Banco Master e obteve decisão favorável no STF após voto de Toffoli. O gabinete do ministro negou influência externa sobre o julgamento.
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Kassio Nunes Marques

As referências a Kassio Nunes Marques aparecem principalmente por meio de seu filho, o advogado Kevin Marques.

Mensagens indicam pagamentos mensais de R$ 500 mil destinados a Kevin. Segundo os registros, os pagamentos teriam passado pela empresa Consult Inteligência Tributária, que recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master em um ano.

Kevin Marques negou ter prestado serviços ou recebido dinheiro diretamente do Banco Master ou de Vorcaro. A assessoria informou que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult por serviços jurídicos especializados na área tributária administrativa.

Luiz Fux

Luiz Fux aparece no material por meio de conversas entre Vorcaro e seu filho, o advogado Rodrigo Fux. Os diálogos, de 2024 a 2025, registram encontros, almoços e atividades sociais entre os dois.

As mensagens também mostram Rodrigo Fux orientando o envio de informações para a secretaria de seu pai no STF e para seu próprio e-mail institucional, segundo reportagem da Folha de S.Paulo.

O escritório Fux Advogados afirmou que nunca prestou serviços nem recebeu valores de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele. Luiz Fux não havia se manifestado sobre o conteúdo das mensagens até a publicação da reportagem.

Gilmar Mendes

Embora não esteja entre os cinco principais casos destacados, Gilmar Mendes também aparece no material relacionado a Vorcaro.

Em 2025, o ex-banqueiro procurou a advogada Guiomar Feitosa, então esposa do ministro, interessado em contratar seus serviços. Segundo Guiomar, houve uma reunião, mas Vorcaro não apresentou posteriormente os números dos processos que pretendia discutir e o contato não avançou.
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