
Foto: Luciana Vermell / CBF
Da Redação
O governo federal deve reunir, nesta semana, representantes dos clubes do Campeonato Brasileiro para discutir os efeitos financeiros da medida provisória que proibiu a operação das bets no país. A iniciativa foi anunciada após a assinatura da MP pelo governo na sexta-feira (25).
A reunião deverá envolver também as confederações esportivas. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a intenção é dimensionar as perdas provocadas pelo fim dos contratos de patrocínio com empresas de apostas antes de definir qualquer eventual mecanismo de compensação.
“Por determinação do presidente Lula, vamos chamar tanto os clubes de futebol quanto as confederações para entender qual é o real impacto”, declarou Durigan.
O ministro afirmou que uma possível medida de apoio financeiro só será avaliada depois do encontro. “Caso seja necessário, caso essa seja a avaliação do governo, vamos adotar uma medida na sequência”, afirmou.
A mudança atinge diretamente boa parte dos clubes da Série A. Dos 20 integrantes da elite nacional, 14 mantêm ou mantinham contratos de patrocínio com empresas de apostas esportivas. Na semana passada, diante da possibilidade de proibição, os clubes divulgaram um manifesto conjunto com críticas à medida.
“Uma mudança abrupta nas regras reduziria a capacidade de investimento dos clubes e criaria desequilíbrios dentro e fora do país”, dizia um trecho do documento.
Apesar do volume dos contratos, o dinheiro das bets corresponde a uma parcela limitada da receita total dos principais clubes. Levantamento da consultoria Convocados aponta que os patrocínios do setor somaram cerca de R$ 1,03 bilhão em 2025, alta de aproximadamente 66% em relação aos R$ 618 milhões registrados no ano anterior.
O valor representou 7,2% dos R$ 14,3 bilhões arrecadados pelos clubes que disputaram a Série A no ano passado. Ainda assim, a interrupção dos acordos pode afetar contratos considerados relevantes para o planejamento financeiro das equipes.
Entre os quatro grandes clubes paulistas, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Santos informaram que não pretendem comentar o assunto neste momento. Também não há definição sobre o futuro do acordo da Sportingbet com Palmeiras e Vasco.
O executivo responsável pelas operações da empresa na América Latina, Antonio Forjaz, afirmou que ainda não é possível antecipar o desfecho dos contratos. Ele também indicou esperar uma possível mudança na decisão do governo.
“Admito que foi com alguma surpresa [que recebeu a decisão do governo]. A gente sabia que viria uma Medida Provisória, sabia que ela traria algum tipo de limitação ao nosso mercado, mas nunca pensamos que a situação fosse acabar num lugar de proibição total do nosso mercado e a impossibilitação dessa indústria, que foi regulada há 1,5 ano”, afirmou Forjaz.