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Da Redação
Duas trabalhadoras domésticas negras, de 90 e 65 anos, foram resgatadas de condições análogas às de escravo em Belo Horizonte. Segundo a fiscalização, elas permaneceram vinculadas à mesma família por 75 e 58 anos, respectivamente, sendo transferidas de uma geração de empregadores para outra. O caso foi identificado durante a Operação Resgate 6, que realizou 241 ações e resgatou 479 trabalhadores em todo o país. A reportagem é do UOL.
As duas trabalhavam na limpeza da casa, faziam compras e preparavam refeições, sem direito a descanso sequer aos domingos. Também não tinham direitos trabalhistas efetivados e, segundo os fiscais, sofreram restrições à vida social e não tiveram as mesmas oportunidades de educação e construção de projetos de vida que outros integrantes da família. Os empregadores tentaram alegar que elas seriam membros da família, mas a fiscalização concluiu que prestavam serviços domésticos.
Após o resgate, as mulheres foram encaminhadas a uma instituição governamental de acolhimento e passaram a receber acompanhamento de uma rede de proteção. Uma das vítimas ainda demonstrava dificuldade em romper com a antiga rotina e insistia em realizar tarefas domésticas no local de acolhimento. Os órgãos responsáveis também apuram se a mulher de 90 anos é oriunda de uma comunidade quilombola.