32% das baianas que sofreram violência não identificaram agressão como violência doméstica



Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
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Da Redação

Ao menos 32% das mulheres baianas que relataram ter passado por situações concretas de violência não declararam espontaneamente ter sofrido violência doméstica ou familiar. O dado faz parte do Mapa Nacional da Violência de Gênero, elaborado a partir da 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em 2025.

De acordo com o levantamento, 25% das mulheres na Bahia afirmaram já ter sofrido violência doméstica ou familiar ao longo da vida. Nos 12 meses anteriores à pesquisa, o percentual foi de 20%.
Entre as mulheres que relataram violência cometida por um homem, 86% mencionaram violência psicológica, 78% violência moral e 75% violência física. Em 71% dos casos, o agressor era marido ou companheiro da vítima no momento da agressão.

Entre as vítimas no estado, 19% ainda convivem com o agressor. Dessas, 83% moram com ele. Nos episódios considerados mais graves, 60% das entrevistadas disseram que o agressor estava com ciúmes e 44% afirmaram que ele havia consumido álcool.
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Impactos da violência

Entre as mulheres que terminaram o relacionamento com o agressor, 80% disseram que a violência teve muita influência na decisão. Os efeitos também apareceram na vida profissional e educacional: 45% relataram consequências no trabalho remunerado e 43% disseram ter sofrido prejuízos nos estudos.

Apenas 14% das vítimas afirmaram ter denunciado as agressões em delegacias comuns ou especializadas.

O levantamento também aponta diferenças no nível de conhecimento sobre mecanismos de proteção. Embora 93% das baianas tenham afirmado conhecer ou já ter ouvido falar da Delegacia da Mulher e 80% do Ligue 180, 68% disseram conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 11% afirmaram não conhecer a legislação.

Percepção sobre violência

Segundo a pesquisa, 84% das mulheres na Bahia perceberam aumento da violência doméstica e familiar contra mulheres nos 12 meses anteriores ao levantamento. O percentual ficou acima da média nacional.
Além disso, 71% das entrevistadas consideram o Brasil um país “muito machista”.

O levantamento também identificou uma diferença entre a percepção espontânea das vítimas e as respostas a perguntas específicas. Apenas 4% das mulheres disseram ter sofrido violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa. Quando foram questionadas sobre situações concretas de violência, sem que o termo “violência doméstica” fosse utilizado, 33% relataram experiências compatíveis com esse tipo de agressão.

A diferença de 29 pontos percentuais mostra a parcela de mulheres que relatou situações de violência sem identificá-las espontaneamente como violência doméstica ou familiar.
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