
Foto: Reprodução
Da Redação
O número de mortos no deslizamento de terra ocorrido na fronteira entre Nepal e China chegou a 797 neste domingo (30), segundo autoridades locais. Mais de 3 mil pessoas continuam desaparecidas, enquanto equipes de emergência mantêm as buscas quatro dias após a tragédia.
No Nepal, foram recuperados 781 corpos, enquanto 2.502 pessoas seguem desaparecidas. Outros 16 corpos foram encontrados no Tibete, onde há 546 desaparecidos.
A tragédia ocorreu após enchentes registradas em 26 de agosto, que deixaram uma extensa área coberta por lama e destruíram edifícios, estradas, pontes e outras estruturas.
Buscas são interrompidas por mau tempo
As operações de resgate foram suspensas diversas vezes desde sexta-feira (28) devido às condições meteorológicas adversas. As equipes também enfrentam o risco de novas inundações provocado pelo transbordamento de um lago formado após o desastre.
O aumento do nível dos rios Lhende Khola e Trishuli levou moradores e equipes de emergência a se deslocarem para áreas mais elevadas. Neste domingo, as autoridades nepalesas voltaram a recomendar cautela aos socorristas diante da elevação do rio Bhotekoshi, no distrito de Rasuwa.
Estradas destruídas, falhas de comunicação e o risco de novos deslizamentos também dificultam as operações.
Com equipamentos de perfuração, os socorristas conseguiram chegar à entrada de um túnel das obras da usina hidrelétrica de Trishuli-3, onde as autoridades acreditam que aproximadamente 100 trabalhadores estejam presos desde a catástrofe.
Mudanças climáticas são apontadas como fator de risco
A causa exata do colapso ainda não foi determinada. Cientistas, porém, afirmam que o aumento das temperaturas e o derretimento do gelo podem ter contribuído para a instabilidade da região.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, destacou a vulnerabilidade do país aos efeitos das mudanças climáticas, apesar da baixa participação nepalesa nas emissões globais de gases de efeito estufa.
Segundo especialistas, o aquecimento pode reduzir a sustentação proporcionada pelo gelo, aumentar o volume de água do degelo e alterar os ciclos de congelamento, descongelamento e chuvas em regiões de alta montanha.
A mídia estatal chinesa também atribuiu o desastre à instabilidade das geleiras associada aos efeitos de longo prazo do aquecimento global.
Inicialmente, houve suspeita de que um terremoto de magnitude 4,4 tivesse provocado o fenômeno. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), no entanto, o tremor foi consequência da energia sísmica gerada pelo próprio desmoronamento.
Corpos são enterrados sem identificação
As autoridades nepalesas começaram a sepultar parte dos corpos recuperados devido ao risco à saúde pública causado pela decomposição.
Pelo menos 96 corpos não identificados foram enterrados no sábado (29), na floresta de Devghat, em Chitwan. Mais de 100 outros deveriam ser sepultados neste domingo.
Antes dos enterros, equipes médicas coletaram amostras de DNA e registraram a localização dos corpos. O procedimento permitirá que familiares façam a identificação posteriormente e, se necessário, solicitem a exumação para a realização dos ritos funerários tradicionais.