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Wesley Faustino
Há exatamente dez anos, em 16 de agosto de 2016, o Brasil assistia a um dos momentos mais importantes da história de sua canoagem. Na Lagoa Rodrigo de Freitas, durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o baiano Isaquias Queiroz, filho de Ubaitaba, conquistava a primeira medalha olímpica da canoagem velocidade brasileira.
Material de referência geográfica
Aos 22 anos, Isaquias cruzou a linha de chegada da final do C1 1000 metros na segunda colocação e ficou com a medalha de prata. O ouro foi conquistado pelo alemão Sebastian Brendel, então campeão olímpico e mundial e uma das maiores referências de Isaquias no esporte. Aquela edição dos Jogos teria um significado ainda mais especial para a região. Além de Isaquias, Ubatã também estaria representada no pódio olímpico pelo canoísta Erlon Souza, que conquistaria a medalha de prata ao lado do atleta de Ubaitaba na prova do C2 1000 metros. Assim, duas pequenas cidades do sul da Bahia passaram a integrar definitivamente a história olímpica brasileira.
A data histórica foi lembrada neste domingo, 16 de agosto de 2026, pelo site Olimpíada Todo Dia, em reportagem especial do jornalista André Rossi, que recuperou os detalhes daquela primeira conquista e ouviu Isaquias sobre as lembranças da Rio 2016.
A prata conquistada há dez anos representou muito mais que uma medalha. Era a concretização de um sonho construído a partir de Ubaitaba, cidade do sul da Bahia que se transformou em um dos principais berços da canoagem brasileira. Na final, Isaquias largou na raia quatro, ao lado de Brendel. O brasileiro começou forte e esteve à frente do alemão nos primeiros 250 metros. Na sequência, Brendel assumiu a liderança, enquanto os dois se distanciavam dos demais competidores.
O alemão venceu com 3min56s926, enquanto Isaquias completou os mil metros em 3min58s526, garantindo a prata e entrando definitivamente para a história do esporte brasileiro.
Ao Olimpíada Todo Dia, Isaquias recordou que a primeira medalha representou principalmente uma sensação de alívio. Competindo diante da torcida brasileira e carregando a expectativa de colocar o país pela primeira vez no pódio olímpico da modalidade, ele finalmente havia cumprido uma missão que ultrapassava sua trajetória individual.
O momento também teve um significado especial porque a disputa aconteceu justamente contra Sebastian Brendel, seu grande ídolo na canoagem. A admiração é tamanha que Isaquias deu ao primeiro filho o nome de Sebastian.
A prata no C1 1000 metros seria apenas o começo. Isaquias ainda voltaria ao pódio outras duas vezes naquela mesma edição dos Jogos.
Ele conquistou o bronze no C1 200 metros e, no encerramento de sua participação, outra prata no C2 1000 metros, formando dupla com o ubatense Erlon Souza.
A conquista de Isaquias e Erlon teve um significado especial para o sul da Bahia. De um lado, Ubaitaba, cidade que construiu uma longa tradição na canoagem e revelou Isaquias para o esporte. Do outro, Ubatã, representada por Erlon Souza, atleta que também encontrou nas águas e na canoagem o caminho até o maior palco esportivo do planeta.
Erlon chegou à Rio 2016 como um atleta já experiente no cenário internacional. Na final do C2 1000 metros, a dupla brasileira protagonizou uma das grandes apresentações da canoagem nacional e conquistou a medalha de prata, colocando Ubatã pela primeira vez em um pódio olímpico.
A imagem dos dois baianos juntos no pódio tornou-se uma das mais marcantes daquela Olimpíada para a região. Isaquias Queiroz, de Ubaitaba, e Erlon Souza, de Ubatã, mostravam ao mundo a força de uma tradição esportiva construída no interior da Bahia.
Para Ubatã, a medalha representou um capítulo histórico. Erlon não estava apenas participando de uma Olimpíada: estava colocando o nome do município entre as cidades brasileiras que tiveram um filho no pódio dos Jogos Olímpicos.
Com três medalhas em uma única Olimpíada, Isaquias deixou o Rio de Janeiro definitivamente consagrado como um dos grandes nomes do esporte brasileiro e deu à canoagem uma visibilidade até então inédita no país.
A trajetória olímpica continuaria nos Jogos seguintes. Em Tóquio 2020, realizados em 2021 em razão da pandemia, Isaquias conquistou o tão sonhado ouro olímpico no C1 1000 metros. Em Paris 2024, voltou ao pódio e chegou à sua quinta medalha olímpica.
A conquista de 16 de agosto de 2016 também encerrou uma longa espera da canoagem brasileira. A modalidade integra o programa olímpico desde os Jogos de Berlim, em 1936, mas o Brasil somente começou a estruturar sua participação décadas depois.
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A estreia brasileira na canoagem velocidade em Jogos Olímpicos ocorreu em Barcelona 1992, com Jefferson Lacerda, primeiro canoista do Norte e Nordeste do Brasil a participar de uma Olimpiada na modalidade Canoagem, e também como Isaquias, baiano de Ubaitaba.
Seriam necessários mais 20 anos para que uma medalha finalmente chegasse. E ela veio pelas mãos de um jovem criado às margens do Rio de Contas, em Ubaitaba.
A partir daquele 16 de agosto de 2016, a história mudou. Isaquias não apenas conquistou a primeira medalha, como subiu três vezes ao pódio na mesma Olimpíada. Em uma dessas conquistas, teve ao seu lado justamente Erlon Souza, levando também o nome de Ubatã ao pódio olímpico.
Em entrevista a André Rossi, Isaquias destacou a importância de pessoas que participaram daquela caminhada, especialmente o técnico espanhol Jesús Morlán, responsável por conduzir uma fase decisiva de sua carreira, além de Jorge Bichara, então gerente de performance esportiva do Comitê Olímpico do Brasil.
Morlán, considerado uma das grandes referências mundiais da modalidade, morreu em 2018, aos 52 anos. Sua parceria com Isaquias tornou-se parte fundamental da construção dos resultados que transformaram a canoagem brasileira.
Para o sul da Bahia, a Rio 2016 deixou uma imagem difícil de ser repetida. Dois atletas de municípios vizinhos, separados por poucos quilômetros, chegaram juntos ao pódio da maior competição esportiva do planeta.
Isaquias representava a tradição de Ubaitaba, onde a canoagem cresceu às margens do Rio de Contas e produziu sucessivas gerações de atletas. Erlon carregava o nome de Ubatã, município que também construiu sua história na modalidade e passou a ter um medalhista olímpico.
Se o dia 16 de agosto de 2016 marcou o nascimento da chamada Era Isaquias, os Jogos do Rio também eternizaram outro nome para a região: Erlon Souza.
Dez anos depois, a lembrança permanece viva. Isaquias Queiroz abriu o caminho com a primeira medalha brasileira da canoagem velocidade e, poucos dias depois, dividiu uma das maiores conquistas de sua carreira com o ubatense Erlon Souza. Na Rio 2016, Ubaitaba e Ubatã remaram juntas para a história.
Fonte: Olimpíada Todo Dia. Reportagem original de André Rossi, publicada em 16 de agosto de 2026.
Wesley Faustino é escritor, historiador e pesquisador. Atua na preservação da memória política, cultural, esportiva e institucional de Ubatã e do sul da Bahia. Ex-vice-prefeito de Ubatã, é especialista em Gestão Pública Municipal e Gestão Ambiental, tendo exercido funções de diretor-geral, chefe de gabinete e secretário em diversos órgãos da administração pública municipal (Ubatã e Salvador), estadual e federal. Dedica-se à análise da política municipal sob uma perspectiva histórica, documental e institucional.