
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Da redação
Os juros cobrados das famílias voltaram a subir em junho e atingiram 64% ao ano nas operações de crédito livre, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas nesta quinta-feira (30) pelo Banco Central (BC). O levantamento também mostra que a inadimplência e o comprometimento da renda dos brasileiros permanecem em patamares elevados.
A taxa média de juros para pessoas físicas avançou 1,2 ponto percentual em relação a maio e acumula alta de 4,6 pontos percentuais nos últimos 12 meses. De acordo com o Banco Central, o principal fator para o aumento foi a elevação das taxas do crédito pessoal não consignado.
Considerando todas as modalidades de crédito, a taxa média de juros das novas concessões chegou a 33,4% ao ano, alta de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,5 ponto percentual na comparação anual. O spread bancário permaneceu estável em 21,9 pontos percentuais, mas ficou 1,1 ponto acima do registrado em junho do ano passado.
A inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional ficou em 4,7% em junho, mantendo-se estável em relação a maio, mas um ponto percentual acima do nível observado há um ano. Entre as famílias, o índice permaneceu em 5,6%, com aumento de 1,2 ponto percentual no período de 12 meses.
No crédito livre, a inadimplência alcançou 6,2% da carteira. Entre as pessoas físicas, o indicador ficou em 7,6%, alta de 1,1 ponto percentual na comparação anual.
O levantamento também mostra que o endividamento das famílias atingiu 49,8% da renda em maio, praticamente estável em relação ao mês anterior, mas 0,9 ponto percentual acima do registrado um ano antes. Já o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas subiu para 28,5%, o maior nível da série recente, com avanço de 1,3 ponto percentual em 12 meses.
O saldo total das operações de crédito no Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões em junho, crescimento de 0,7% no mês e de 9,7% em 12 meses. O crédito destinado às famílias somou R$ 4,6 trilhões, com expansão anual de 10,8%.
Apesar desse avanço, o estoque de crédito livre para pessoas físicas recuou 0,1% em relação a maio, para R$ 2,5 trilhões. Segundo o Banco Central, a retração foi influenciada pela redução das carteiras de financiamento de veículos e de crédito pessoal não consignado.
As concessões totais de crédito cresceram 0,4% em junho, impulsionadas pelas operações destinadas às empresas, que avançaram 1,4%. Já as concessões às famílias registraram queda de 0,2% no período.
O crédito ampliado ao setor não financeiro encerrou junho em R$ 21,7 trilhões, equivalente a 164,3% do Produto Interno Bruto (PIB), com alta de 0,9% no mês e de 11,9% em 12 meses. Segundo o BC, o resultado foi impulsionado pelo crescimento dos títulos públicos, dos empréstimos concedidos pelo sistema financeiro e das operações externas.