
Ovos, frango e carne suína podem ficar mais caros no Brasil nos próximos dias, devido à escalada da tensão entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
A alta do preço do diesel e problemas logísticos em rotas internacionais já impactam fretes e produção, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O aumento deve atingir todo o país, influenciando o bolso do consumidor nos supermercados.
Alta no transporte pressiona custos das proteínas
O conflito internacional elevou o preço do diesel, responsável pelo transporte rodoviário de insumos e produtos finais. De acordo com a ABPA, o aumento chega a 20% nos fretes, afetando ovos, frango e carne de porco.
Além do transporte, a instabilidade no Estreito de Ormuz dificulta a logística de derivados de petróleo usados em embalagens plásticas, que já subiram cerca de 30%.
Esses fatores indicam que as carnes podem ficar mais caras independentemente da oferta atual, pois o custo de produção já não é o mesmo.
Variação de preços nos supermercados
O preço do ovo de galinha registrou uma alta de 7,54% na prévia da inflação de março, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No caso da carne suína, houve queda de 2,28%, enquanto o frango inteiro caiu 1,72% e o frango em pedaços subiu 0,01%.
Apesar de algumas quedas recentes, especialistas apontam que o efeito do aumento nos custos de transporte pode provocar repasses imediatos aos consumidores. O cenário mostra que carnes podem ficar mais caras nos próximos dias, mesmo após períodos de preços baixos.
Fatores sazonais também influenciam os preços
Para os ovos, além da guerra internacional, a Quaresma contribui para o aumento da demanda. André Braz, economista do IBGE, explica que nesta época do ano muitas pessoas substituem carne vermelha por ovos, pressionando o preço do alimento.
Outro fator é a adaptação das aves à mudança de estação, que reduz a oferta. No frango e na carne suína, o aumento de demanda ocorre como efeito de substituição, já que a carne bovina está mais cara devido ao ciclo pecuário, quando o abate de fêmeas reprodutoras diminui a oferta.
Consequências para o consumidor
O aumento de preços não se limita ao setor de alimentos. Produtos que dependem de derivados de petróleo, como medicamentos, fertilizantes e embalagens, também podem sofrer repasses.
Nos supermercados, o consumidor já sente o efeito, principalmente em ovos e carnes, que tiveram quedas nos últimos 12 meses, mas agora estão sujeitos a novos aumentos.