
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil
Da Redação
A revelação de transações e diálogos envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, e o banqueiro Daniel Vorcaro intensificou uma crise institucional descrita por autoridades como uma “guerra fria” entre a Corte e a Polícia Federal (PF). As informações surgiram no âmbito das investigações sobre supostas fraudes no Banco Master e ampliaram o embate entre investigadores e o magistrado. Nos bastidores, integrantes da apuração afirmam que decisões do ministro teriam dificultado o andamento do caso. Diante da escalada da crise, Toffoli decidiu deixar a relatoria do processo, movimento interpretado como tentativa de reduzir a tensão. A reportagem é da Folha.
A controvérsia ganhou força após a PF encaminhar ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório com mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Os diálogos mencionam pagamentos à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio. O ministro afirmou, em nota, que não mantém relação de amizade com o investigado nem recebeu valores indevidos. Ainda assim, investigadores avaliam que os pagamentos poderiam ensejar questionamentos sobre suspeição e eventual nulidade de atos processuais. O STF decidiu manter válidas as decisões tomadas por Toffoli enquanto esteve à frente do caso.
Paralelamente, a atuação da PF passou a ser alvo de críticas de ministros e políticos, especialmente após operações que atingiram aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Cresceu em Brasília a pressão por uma “contenção” das investigações e por apuração de vazamentos de informações sigilosas. Em nota, os ministros do STF manifestaram apoio pessoal a Toffoli e ressaltaram não haver impedimento formal. Apesar disso, a percepção geral é que o caso desencadeou uma sequência de ataques e contra-ataques institucionais, ampliando a instabilidade política e jurídica em torno das investigações.