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28 abril 2022

Terceira guerra mundial? Para historiador, chance existe, mas ainda é altamente improvável

Terceira guerra mundial? Para historiador, chance existe, mas ainda é altamente improvável




“O perigo é grave, é real, não pode ser subestimado”, disse Sergei Lavrov, chefe da diplomacia russa, nesta segunda-feira (24), ao ser perguntado sobre a possibilidade de uma terceira guerra mundial. A Rússia invadiu a Ucrânia no dia 24 de fevereiro (relembre aqui), e, desde então, uma série de negociações ocorreu entre os países, mas sem sucesso. Nesta quarta (26), o presidente russo, Vladimir Putin, ameaçou usar armas nucleares contra nações que interferem no conflito.





Para o historiador Milton Deiró Neto, “a chance [de uma terceira guerra] existe, mas ainda é altamente improvável”. “A mente do alto comando militar russo se tornou imprevisível. Essa imprevisibilidade pode causar uma terceira guerra mundial. Há 99% de chance de não acontecer, mas aquele 1% é problemático. Basta uma pessoa dar uma ordem e a coisa pode desandar”, afirmou, em entrevista ao Bahia Notícias.



A escalada na tensão ocorre após a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) prometer ajuda militar aos ucranianos.



“Essa possibilidade, no começo do conflito, não existia de maneira concreta. Porque até então os países ocidentais estavam oferecendo basicamente armas portáteis, menores, que tecnicamente são chamadas de armas leves. Só que de duas semanas para cá os países ocidentais começaram a ofertar armas pesadas para a Ucrânia. No momento que o ocidente dá esse passo, cria-se um tensionamento que torna possível a eclosão de uma terceira guerra mundial. Porque, para que isso ocorra, basta que haja uma ação errada de algum dos lados”, complementa Milton.




Rússia e Ucrânia já “sentaram à mesa” diversas vezes para tentar chegar a um consenso em relação à guerra, mas até agora isso não aconteceu. O próprio Lavrov criticou, durante sua fala na segunda, o método de negociação utilizado pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.



"É um bom ator, mas se olhar com atenção e ler com cuidado o que ele diz, serão encontradas milhares de contradições", afirmou o diplomata russo.



Na visão de Deiró, as conversas são difíceis por uma série de divergências, especialmente por questões territoriais. “A Rússia está demandando não apenas os territórios do leste, mas toda a região que conecta a Crimeia às províncias de Donetsk e Luhansk, e inclusive a cidade de Mariupol, que foi tomada pelos russos”, explica.



Caso obtenha o que deseja, a Rússia poderia declarar o Mar de Azov como um mar interno, diminuindo as chances de um possível inimigo invadir o território.




“O mar de Azov é estratégico para a Rússia, porque é onde deságua o Rio Don, e tem um conjunto de planícies da Rússia que levam até Moscou. Então qualquer país que pense em invadir a Rússia vai desembarcar nessa região, que é o ponto mais óbvio, ali entre Rostov-on-Don e Sochi. A intenção de Moscou é que esse mar de Azov seja interno da Rússia. Pelo direito internacional, se o mar for interno, a circulação de navios só pode ser autorizada pela autoridade portuária da Rússia. Daí essa mudança repentina de estratégia de Putin de desistir de atacar Kiev e ir para Mariupol”, diz o historiador.



CRIMES DE GUERRA?

A Ucrânia, por outro lado, entende que deve haver uma reparação por parte da Rússia pelos danos causados durante a guerra. O país invadido alega que os russos cometeram crimes de guerra, contra a humanidade, e por isso “pisou no freio” nas negociações.




Apesar de declarar que este é um conflito militar, a Rússia já realizou diversos ataques que causaram mortes de civis. Contudo, Deiró alerta que o país governado por Putin não deve sofrer consequências jurídicas por seus atos.



“Porque não é signatária do tratado de criação do Tribunal Penal Internacional. Portanto, não existe possibilidade de nenhuma autoridade russa, nenhum militar, ser condenado no tribunal. O que pode acontecer em termos de ‘punição’, é que o Ocidente estabeleça determinadas retaliações, bloqueios, restrições, em relação a alguns comandantes militares, pessoas específicas”, comenta.

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