No Brasil o ‘Agro é Pop’ e o povo passa fome







.Meu nome é Marcos, alguém compra um pão pra nós. Alguém compra um leite. É FOME! POR FAVOR, É FOME!”


Fui dormir com esse grito desesperador na minha mente, fruto de um vídeo que viralizou no Instagram, de um homem que se identificava como Marcos e que em um momento de desespero caminhou por uma rua gritando e pedindo ajuda, pedindo comida para ele e mais alguém.


Assisti ao vídeo pasmo e uma onda de tristeza alagou o meu coração de angústia e impotência. Na hora eu só consegui buscar Deus e pedi para Ele iluminar o coração de algum morador ou alguma autoridade local para alimentar e dar um rumo para aquela pessoa.


Outro dia citei em um comentário o saudoso presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek, que na década de 1960 disse que se o Brasil investisse cinco anos na agricultura, teria 50 anos de fartura. Ele tinha razão! O Brasil é um país agrícola, com dimensões continentais, muita água e terras férteis, o que falta é dividir os investimentos entre o Agro e a Agricultura Familiar.


É preciso entender que o Agro abre divisas, mas não alimenta o povo. Por outro lado, a Agricultura Familiar bem planejada, com investimentos pontuais em culturas locais; assistência técnica e cursos para o homem do campo; estradas recuperadas e energia elétrica, enriquece o campo e alimenta a cidade.


No início dos anos 80 o Sul da Bahia sofreu com a vassoura-de-bruxa e o êxodo rural. Hoje a realidade é outra e as grandes fazendas viraram pequenas propriedades de 5 a 10 hectares, onde o pequeno agricultor pode plantar um pouco de tudo, para alimentar sua família e vender o excedente.


Gosto de usar como exemplo um grande amigo que tenho (Wilson da Polpa) e que vive muito bem com apenas 6 hectares de terra e dezenas de culturas diferentes plantadas de forma organizada. O senhor Wilson (como gosto de chamar) além de viver da terra, ainda emprega filhos e produz, entre outras coisas, polpas de frutas, que ele fornece para o mercado regional. Veja o vídeo do senhor Wilson


Temos terra fértil, água a vontade e pessoas que querem viver no campo e produzir alimentos para alimentar o Brasil. É preciso entender que esse país pode e deve ser o supermercado do mundo, basta boa vontade, visão, planejamento e investimento coordenado no Agro e na Agricultura Familiar.



Arnold Coelho

Designer Gráfico, Diagramador, Jornalista MTB 6446/BA
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