Brigas, rupturas e frustrações marcam chegada de Bolsonaro a 10º partido da biografia




Exatos dois anos da saída de Bolsonaro do PSL, o presidente da República formaliza, nesta terça-feira (30), um novo vínculo com uma sigla. Neste espaço de tempo, filiações a outras legendas, a exemplo do seu ex-partido, o Progressistas, e a fundação de uma nova agremiação, o Aliança Brasil, foram cogitadas como alternativas para a sustentação política do grupo que orbita em seu espectro, o bolsonarismo.



O disparo que provocou sua saída do Partido Social Liberal (PSL), pouco mais de um ano após se eleger à Presidência da República, aconteceu depois de cisões na base governista (relembre aqui) e conflitos com o presidente da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PE).



Desde então, Bolsonaro ficou a deriva e, a partir daí tentou criar a própria sigla. O Aliança pelo Brasil tinha por objetivo ser criado antes das eleições municipais de 2020, no entanto, com o passar do tempo, a ideia de um partido cuja logo era feito com cartuchos de balas, ficou na gaveta.



Daí em diante, o presidente sem partido passou a flertar com diversas siglas com o objetivo de se aproximar do Centrão. Após idas e vindas e a especulação de que o tão sonhado casamento com o Partido Liberal (PL) iria por água abaixo, o anúncio na última quarta-feira (24) garantiu a filiação (relembre).



Pelo histórico recente, ainda é precoce saber até quando o "felizes para sempre" defendido por Bolsonaro para ilustrar o casamento com o partido deve durar. Os bastidores das negociações apontam, inclusive, para desentendimentos entre ele e o presidente nacional, Valdemar Costa Neto.



O cenário que antecede a trajetória do presidente nos últimos anos inclui outras uniões, a exemplo do PPB, PDC, PPR, PFL, PTB, PP e PSC. Entre as idas e vindas, o presidente começou a trajetória como deputado federal pelo Partido Democrata Cristão (PDC), onde ficou entre 1991 e 1995. Em 1993 sigla mudou de nome e deu lugar ao Partido Progressista Reformador (PPR), fruto da fusão do PDC com o Partido Democrático Social (PDS).



De acordo com os registros da Câmara dos Deputados Federais, em agosto de 1995 ele deixou a sigla e migrou para o PPB, onde atuou como deputado federal pelo seu terceiro mandato.



Na época, o presidente já demonstrava opiniões combativas e conservadoras. É deste período um vídeo em que Bolsonaro, durante uma entrevista concedida ao programa Câmera Aberta, da TV Bandeirantes, em 1999, critica o então presidente Fernando Henrique Cardoso e diz que fecharia o Congresso caso tivesse esse poder.



"Vão morrer alguns inocentes. Tudo bem. Em toda guerra, morrem inocentes. Eu até fico feliz se morrer, mas desde que vão 30 mil junto comigo", falou Bolsonaro na ocasião, sugerindo uma guerra civil.



Em 2003, em seu quarto mandato, Bolsonaro migra de partido mais uma vez, se filiando ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), ficando nele até o início de 2005, quando se alinhou ao partido do ex-governador baiano Antônio Carlos Magalhães (ACM), o Partido da Frente Liberal (PFL).



Após um curto período no PFL, o então deputado federal acerta com o Partido Progressista (PP) - nova roupagem da sua antiga sigla, o PPB - e integra seu quadro de filiados até 2016, maior período em que ele esteve filiado a um partido.



Em 2016, emergindo como um forte candidato à presidência, Bolsonaro se desfilia do PP, que integrava a base do governo Dilma Rousseff (PT), e passa a fazer parte do Partido Social Cristão (PSC) (veja aqui).



Logo em seguinda, vendo que o caminho mais viável para se eleger presidente do Brasil era integrando o Partido Social Liberal (PSL), Bolsonaro articula sua ida à ainda pouco expressiva sigla e se projeta como líder da extrema direita no país. Junto com o nascimento do que viria a ser o bolsonarismo, 52 deputados federais se elegem seguindo a via pavimentada.
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