Quem pode, pode, quem não pode se sacode como Bolsonaro




O que tem a ganhar o país com a indicação de André Mendonça para ministro do Supremo Tribunal Federal, na vaga aberta por Marco Aurélio Mello, que se aposentou?


Nada, simplesmente nada. A indicação se deve unicamente à dívida contraída pelo presidente Jair Bolsonaro com um grupo de pastores de várias denominações evangélicas que o apoiam.

Mendonça é “terrivelmente evangélico”, como atestam os pastores, e Bolsonaro está convencido. Seu currículo como jurista é pobre, pouco ou nada acrescentando ao tribunal.

Mas sua subserviência a Bolsonaro, exemplar. Demonstrou-a quando substituiu no Ministério da Justiça o ex-juiz Sergio Moro, que resistiu à intervenção de Bolsonaro na Polícia Federal.

Ali, Mendonça comportou-se não como ministro da Justiça do Brasil, mas como ministro da Justiça do presidente da República, acatando sem discussão todas as suas ordens.


Fechou os olhos à produção de um dossiê sobre policiais antifascistas, como se crime fosse ser antifascista e não fascista. Abusou da Lei de Segurança Nacional contra desafetos do governo.


Se Mendonça virar ministro do Supremo, rezará na abertura das sessões, almoçará com Bolsonaro uma vez por semana e votará contra pautas progressistas. Quem o disse? Bolsonaro, ora.
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Gilmar Mendes não é ministro porque é católico a ponto de gostar de ouvir a missa em latim. Luís Roberto Barroso não é ministro porque é judeu, apesar de acreditar em curas do ex-João de Deus.

Se o presidente da Câmara engaveta 130 pedidos de impeachment contra Bolsonaro, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado pode engavetar a indicação de Mendonça.

Os dois talvez não o façam pelos melhores motivos, mas têm esse poder. E, enquanto tiverem e o exercerem sob o peso de todo tipo de pressão, não há muito que fazer.

No caso de David Alcolumbre (DEM-AP), presidente da Comissão, bem o sabe Rodrigo Pacheco (DEM-MG), presidente do Senado, que sem poder tentou barrar a instalação da CPI da Covid-19.

CPI é direito da minoria parlamentar consagrado na Constituição. Satisfeitas as exigências de praxe, deve ser instalada. A da Covid só foi porque o Supremo mandou e Pacheco, contrariado, obedeceu.


O Supremo não pode ser usado pelo presidente da República como balcão de negócios políticos. Há limites para a esculhambação.
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