Maioria dos protocolos de volta às aulas presenciais são inadequados




São Paulo – A pandemia ainda não tem data para acabar mas a pressão para a volta às aulas presenciais é grande. O discurso governamental pela reabertura das escolas vem endossado pelo fim do toque de recolher e pela ampliação do horário de funcionamento de bares, restaurantes e o comércio como um todo na maioria das localidades. É como se fosse passado um verniz de normalidade.

Entretanto, pais, professores e profissionais de educação e de saúde estão preocupados com os riscos trazidos pelo retorno às escolas enquanto o número de contaminação ainda é alto. Além da insegurança devido às baixas taxas de vacinação completa, há ainda as desconfianças em relação aos protocolos criados por gestores que sequer os consultaram.

Desconfiança que fazem todo o sentido, segundo um estudo da Rede de Pesquisa Solidária. Segundo os pesquisadores, os planos de retorno às aulas não são assim tão seguras e trazem uma série de problemas. Enfatizam medidas de higiene, como limpeza de superfícies, enquanto os protocolos mais recentes disponibilizados pelas autoridades de saúde mundiais.

Isso porque o novo coronavírus e suas variantes, causadores da covid-19, tem como principal via de transmissão a aérea. Assim, a atenção dos protocolos deveria ser voltada primariamente à ventilação dos ambientes escolares. Mas não é. Não faz parte de nenhum dos planos examinados.
Retorno às aulas

Outro recomendação: Máscaras PFF2 devem ser distribuídas amplamente nas escolas públicas e junto às populações em situação de vulnerabilidade social. Mesmo que as PFF2 possam ser reutilizadas, enquanto estiverem íntegras e com boa vedação do rosto, devem ser deixadas por pelo menos três dias em lugar arejado e sem sol. Por isso, é necessária a distribuição de máscaras para todos os alunos, funcionários e professores.

Apesar de ser uma medida comprovadamente efetiva para conter o contágio, aparece nos protocolos de apenas duas das 26 capitais (8%) e 1 entre os 27 estados (4%).

A testagem por meio do RT-PCR, RT- LAMP ou antígeno deve ser ativa e periódica para profissionais de educação, funcionários e alunos.

Para os pesquisadores, os protocolos de reabertura de ensino presencial devem ser continuamente melhorados e aprimorados pelos governos. Para permitir maior compreensão e maior chance de implementação, os planos de volta às aulas devem ser publicados com todas as medidas resumidas em um documento, único e público.
Aulas presenciais

Mas não é bem o que viram em seu estudo. Apenas 56% das capitais e 49% dos estados apresentaram planos estruturados. Nos demais, os protocolos das redes estaduais e das redes municipais das capitais estaduais não foram divulgados em formato de um documento único, estruturado e transparente. Com isso, a comunidade escolar não teve o conhecimento e a segurança.

Por isso defendem que o ensino remoto, política indispensável ao funcionamento dos modelos híbridos, precisa de maior preocupação por todas as esferas da administração pública, sobretudo quanto à ampliação do acesso à internet.

E que os protocolos tragam mais medidas para evitar a interação entre turmas e especificar orientações para que diferentes turmas não sejam misturadas em atividades coletivas. Nesse sentido, a criação de bolhas seria a medida mais eficaz.

Para o movimento Famílias pela Vida, o protocolo da rede municipal de São Paulo está desatualizado e insuficiente frente ao que se sabe hoje sobre a transmissão do coronavírus. Para o coletivo, máscaras de pano, álcool em gel e distanciamento em uma sala de aula fechada são insuficientes.
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