Infectologista diz que quantidade de pessoas assintomáticas circulando com variante surpreendeu em pesquisa




A infectologista Melissa Falcão, coordenadora do Comitê de Combate ao Coronavírus em Feira de Santana, ressaltou a importância das medidas de proteção para combater a disseminação do vírus entre a população, sobretudo devido à circulação da variante de Manaus e a proliferação da variante indiana Delta em todo o país.

De acordo com ela, já há confirmação de casos da variante em São Paulo e no Rio de Janeiro, e é questão de tempo para que casos sejam confirmados também na Bahia.

“Temos novas cepas surgindo, como a indiana, que não temos ainda nenhuma confirmação na Bahia, mas temos confirmação no Rio de Janeiro, em São Paulo, e quando isso começa a acontecer o tempo pra ela se disseminar não é grande. Essa cepa indiana vai chegar esse ano pra todo o país e estamos nos preparando pra isso. Mas, pedimos à população que continue ajudando, precisamos aprender a conviver com o vírus. A variante indiana parece ter uma capacidade de transmissão ainda maior que a do Reino Unido e a de Manaus”, alertou.

Quanto ao estudo que foi realizado em parceria com a Uefs, a Fiocruz e a Organização Panamericana de Saúde, os pesquisadores buscaram pessoas sem nenhum sintoma em áreas de grande circulação e foi constatado que a variante de Manaus estava presente em grande circulação, com a carga viral alta, ou seja, uma chance grande de transmissão em até 11% das pessoas.


Foto: Ed Santos/Acorda Cidade | Infectologista Melissa Falcão

“Uma taxa de transmissão alta, e aquelas pessoas que estão circulando tranquilamente achando que não estão transmitindo, muitas vezes estão. Então já percebemos essa realidade, essa diferença, com essa predominância do vírus de Manaus e isso pode vir a se agravar mais, caso chegue o vírus indiano Delta. Já sabíamos que já existia essa transmissão comunitária da variante de Manaus, mas não sabíamos que havia essa preponderância, um predomínio tão grande e uma incidência, uma quantidade tão grande de pessoas sem sintomas. Isso foi uma grande surpresa, e evidenciou uma necessidade de todos, independente de terem sintomas, já terem tido a doença ou terem sido vacinadas, manterem os cuidados de prevenção.”

A infectologista informou que além da cepa de Manaus, outras variantes já foram identificadas em Feira de Santana, como a nigeriana e outra variante brasileira que é a 133. “Essas foram as principais. Não tivemos outras com gravidade ou com circulação em grande escala, mas temos que estar atentos se tiver contato com qualquer pessoa que veio de outros países ou outros estados que tenham a circulação da variante indiana, a gente solicita que nos comunique isso para que possamos fazer a análise da variante e ver se se trata dessa nova cepa.”
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