Cenário atual da pandemia no Brasil é de alto risco, diz Fiocruz




A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) afirmou que o cenário atual da pandemia no Brasil é de alto risco, "exigindo muita atenção e prudência". A análise foi feita no boletim do Observatório Covid-19 Fiocruz, divulgado na última quarta-feira (9). Segundo o portal Uol, a análise mostra que pequenas oscilações no número de casos nas últimas semanas apontam a permanência de um elevado nível de transmissão do vírus.



Os pesquisadores também fizeram um alerta sobre a necessidade de combinar medidas de combate à pandemia nas próximas semanas, até que a maior parte da população esteja vacinada. Segundo o estudo, a combinação do alto número de casos com uma pequena queda no número de mortes e a maior parte dos estados com alta taxa de ocupação de leitos UTI Covid para adultos no SUS é muito preocupante. Na Bahia, a taxa é de 84%.



"Ainda é prematuro considerar que há uma queda sustentável de casos e óbitos ou que estamos entrando em uma terceira onda", diz o documento. Mas os pesquisadores afirmam que devem ser incorporadas ações fundamentais, com exceção do bloqueio/lockdown, considerada uma medida "mais forte", para estados e municípios com taxas de ocupação de leitos UTI Covid iguais ou maiores que 85%.



"É muito importante a utilização de medidas não-farmacológicas, que têm como objetivo reduzir a propagação do vírus e o contínuo crescimento de casos, o que sobrecarrega as capacidades para o atendimento de casos críticos e graves e contribui para o crescimento de óbitos; medidas relacionadas ao sistema de saúde, que visam aliviar a sobrecarga dos serviços e também reduzir a mortalidade hospitalar por Covid-19, por desassistência e por outras doenças, bem como garantir o suprimento de insumos fundamentais para o atendimento; as políticas e ações sociais, cujo objetivo é mitigar os impactos sociais e sanitários da pandemia, principalmente para as populações e grupos mais vulneráveis", recomenda a Fiocruz.



Ainda segundo o Uol, os dados levantados pela Fiocruz entre os dias 31 de maio e 7 de junho mostram que as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid para adultos no SUS se mantêm em relativa estabilidade, em níveis muito elevados. Poucas quedas mais significativas foram registradas em Rondônia (de 72% para 62%), no Espírito Santo (de 76% para 68%) e Mato Grosso (de 95% para 87%). Os dois primeiros estados se mantendo na zona de alerta intermediário e o último na zona de alerta crítico.



Todos os estados das regiões Nordeste, Sul e Centro-Oeste permanecem com taxas iguais ou superiores a 80% e, no Sudeste, a única exceção é o Espírito Santo. No Norte, o Acre se mantém como único estado fora da zona crítica e Tocantins soma-se à Roraima na zona de alerta crítico, refletindo, no entanto, uma piora na dinâmica da pandemia. No Distrito Federal, continua chamando a atenção a quantidade de leitos bloqueados, embora a taxa de ocupação esteja elevada.



Doze estados estão com taxas de ocupação iguais ou superiores a 90%. São eles: Tocantins (94%), Maranhão (90%), Ceará (93%), Rio Grande do Norte (94%), Pernambuco (97%), Alagoas (91%), Sergipe (99%), Paraná (96%), Santa Catarina (97%), Mato Grosso do Sul (107%), Goiás (90%) e Distrito Federal (90%).



Nove estados apresentam taxas de ocupação de leitos de UTI Covid para adultos entre 80% e 89%: Roraima (87%), Piauí (88%), Paraíba (80%), Bahia (84%), Minas Gerais (82%), Rio de Janeiro (81%), São Paulo (82%), Rio Grande do Sul (84%) e Mato Grosso (87%). Cinco estados estão na zona de alerta intermediário (≥60% e <80%): Rondônia (62%), Amazonas (61%), Pará (78%), Amapá (68%) e Espírito Santo (68%). Em contrapartida, o Acre está fora da zona de alerta (41%).



As taxas de ocupação de leitos de UTI Covid para adultos no SUS observadas no dia 7 de junho apontam para a persistência de quadro grave de sobrecarga no sistema de saúde pela Covid. Por conta da vacinação dos idosos e da maior exposição de adultos jovens, tem havido uma mudança na faixa etária de pacientes internados, talvez em maiores tempos de permanência hospitalar.



"Em alguns estados e no Distrito Federal é possível que venha ocorrendo gerenciamento da disponibilização e bloqueio de leitos de UTI, com a manutenção do indicador em patamar elevado. Entretanto, a situação predominante é, indubitavelmente, de descontrole da pandemia", diz o estudo.
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