'Superfungo' da Bahia e relação com Covid são descritos em jornal científico internacional




Os casos do superfungo fatal, resistente a medicamentos e responsável por infecções hospitalares, 'Candida auris', que foi identificado na UTI de um hospital de Salvador (lembre aqui), foram descritos no Journal of Fungi por um grupo de pesquisadores do Laboratório Especial de Micologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O trabalho conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).



O estudo destaca a relação que a pandemia da Covid-19 criou condições ideais para a emergência do Candida auris. O pesquisador Arnaldo Colombo, que lidera o Laboratório da Unifesp, destaca que diversos fatores tornam os pacientes infectados pelo SARS-CoV-2 alvos ideais para o superfungo, entre eles a internação prolongada; o uso de sondas vesicais e cateteres para acesso venoso central; uso de corticoides, que suprimem a resposta imune; e antibióticos, que desequilibram a microbiota intestinal.



Em entrevista à Agência Fapesp, Agnaldo ressaltou que vários países estão relatando a emergência do Candida auris no contexto da Covid-19. O cientista ainda fez um alerta para a necessidade de intensificar as ações para controle de infecção hospitalar em todo o país, e também promover o uso racional de medicamentos antimicrobianos nas UTIs. A matéria chama a atenção para o uso da ivermectina.



No mês passado o infectologista Igor Brandão fez um alerta no mesmo sentido, tanto para a associação da pandemia com os casos de infecção fúngica, quanto para as consequências do uso inapropriado de terapias. Já que esses pacientes com Covid-19 acabam tendo aumentadas as chances de infecções por fungo, a automedicação e a adesão a remédios sem comprovação científica, ou de outros comprovadamente ineficazes, de forma preventiva para a infecção contra o coronavírus podem potencializar ainda mais essas chances (entenda melhor aqui).



Desde o fim do ano passado o hospital de Salvador está sendo acompanhado pelo Laboratório Especial de Micologia da Unifesp. Todos os meses, desde dezembro, os pesquisadores recebem amostras da cepa isolada na unidade e testam in vitro a sensibilidade a fármacos antifúngicos.



De acordo com a reportagem da Fapesp, a equipe também monitora a emergência de novos patógenos fúngicos em infecções de corrente sanguínea documentadas em diferentes centros médicos no país.



A agência ressalta que já foram descritas cinco diferentes linhagens de Candida auris no mundo. Segundo Colombo, a que foi isolada em Salvador é mais parecida com a original asiática do que com a encontrada na Venezuela e nos demais países sul-americanos – o que sugere ter havido uma segunda entrada independente do superfungo no continente.



Os cientistas também consideram outras possibilidades “talvez tenhamos uma fonte local ambiental para esse agente, visto que nenhum dos pacientes brasileiros apresenta histórico de viagem internacional ou contato familiar com tal histórico”, disse o pesquisador.
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