Professor da UESC apresenta modelo térmico de amêndoa que pode evitar fungos na fermentação




Da Ascom\UESC:

O cacau dos sonhos com o sabor para os deuses é objeto do mercado, propósito dos agricultores e intento dos pesquisadores, principalmente nos centros acadêmicos e de pesquisas do sul da Bahia.

O professor Jorge Henrique Sales, doutor em Física Nuclear do Departamento de Ciências Exatas e Tecnologias da Universidade Estadual de Santa Cruz, (DCET/Uesc), acaba de publicar no Brazilian Journal of Development, em parceria com o professor Alfredo Takashi Suzuki, doutor em Física do Physics Department da La Sierra University (Califórnia, EUA), o artigo “Thermal Ellipsoidal model of Cocoa almond” (Modelo térmico elipsoidal de amêndoa de cacau).



O estudo apresenta modelos teóricos para a térmica do cacau. A equação para este estudo é a equação de Fick em coordenadas retangulares, cilíndricas, esféricas e elípticas. O resultado mostra que a escolha geométrica para descrever a temperatura do cacau é importante quando comparada aos resultados experimentais, sendo a coordenada elíptica o melhor resultado.

O trabalho permitiu analisar o comportamento térmico do grão de cacau, avaliado por meio de quatro modelos geométricos distintos, prismático, cilíndrico, esférico e elipsoidal. Os modelos foram resolvidos analiticamente usando a equação de difusão de calor. Os resultados mostram que a escolha da geometria que define a amêndoa do cacau influência na temperatura. O modelo elipsóide, ao invés dos modelos prismático e cilíndrico, descreve melhor o comportamento da temperatura com o tempo. Isso implica que a simetria esférica para modelar é a pior escolha. As outras, cilíndrica e retangular, seriam boas aproximações da simetria elipsoidal. Então, a escolha da geometria influência na previsão da temperatura com o tempo.

Segundo o professor Jorge Sales, através do método, “se começa a fermentar as amêndoas do cacau há 40 graus celsius, portanto, o agricultor pode prever o tempo de resfriamento. Que vai ser diferente para temperatura com 50 ou 35. Essa previsão é importante porque possibilita a construção de uma metodologia de controle para evitar fungos.”

“Para isso, a tecnologia necessária seria uma placa com um sensor de temperatura que tenha um programa de computador com essa equação. Assim, quando detectado temperatura certa, o sensor avisa ao agricultor que naquele momento é para parar a fermentação e remover a massa de amêndoas de cacau,” explica Jorge Sales.

Como se trata de modelagem matemática computacional, a parte teórica do estudo está sendo elaborada, junto com o professor Suzuki nos Estados Unidos, no Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional em Ciência e Tecnologia (PPGMC) e nos clusters Cacau, que dão suporte ao trabalho na Uesc. A parte técnica, de hardware, na empresa Legon, situada em Santa Rita do Sapucaí – MG. A expectativa é que todo o projeto esteja concluído até o final deste ano.
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