CPI: presidente da Pfizer diz que proposta de vacinas foi ignorada por 3 meses pelo governo Bolsonaro




O presidente da Pfizer para a América Latina, Carlos Murillo, afirmou nesta quinta-feira, 13, em depoimento à CPI da Covid, que as negociações com o Governo Federal para aquisição de vacinas começaram no final de agosto do ano passado.

“Nossa oferta de 26 de agosto tinha uma validade de 15 dias. Passados os 15 dias, o governo brasileiro não rejeitou, mas tampouco aceitou a oferta”, disse. Murillo era o CEO da farmacêutica norte-americana em 2020.

De acordo com dirigente, o diálogo entre a Pfizer e o governo Bolsonaro para aquisição de vacinas teve início em maio de 2020 e, em agosto, foram feitas ofertas de 30 e 70 milhões de doses a serem entregues em 2020 e 2021. Segundo Murillo, o valor oferecido ao governo brasileiro foi de dez dólares por dose de vacina, cerca de R$ 53 na atual taxa de câmbio.

Em depoimento ontem, 12, na CPI, o ex-secretário de Comunicação da Presidência República, Fábio Wajngarten, admitiu que a carta na qual a Pfizer se dispunha a negociar vacinas foi enviada ao governo em setembro de 2020 e ficou dois meses sem resposta. Em seu depoimento, o ex-presidente da Pfizer no Brasil mostrou que a oferta antecedeu o documento trinta dias antes.

A Pfizer voltou a fazer nova oferta no último dia 15 de fevereiro. A proposta era de 100 milhões de doses. Novamente, o governo federal não fechou o acordo. Ainda conforme o dirigente, no dia 8 de março foi feita nova oferta, semelhante à do mês anterior. O acordo seria para a entrega de 100 milhões de doses, sendo 14 milhões no segundo trimestre de 2021 e mais 86 milhões no terceiro trimestre. O presidente da Pfizer disse

que só ficou confiante com o fechamento do acordo para o fornecimento da vacina no dia 19 de março, quando o contrato foi assinado.

Carlos Murillo ainda foi questionado pelo senador Ciro Nogueira sobre possíveis pedidos de “vantagem pessoal” de governantes brasileiros. O dirigente da Pfizer assegurou não ter recebido nenhum pedido de propina.

Já o senador Marcos Rogério contestou possível entrega de vacinas em 2020 porque a agência reguladora dos Estados Unidos só emitiu aprovação da Pfizer em dezembro último. Murillo confirmou que contrato condicionava a entrega às aprovações das agências.

O representante da Pfzer disse ainda que conversou por telefone com o ministro da Economia, Paulo Guedes, no dia 9 de novembro do ano passado. Na data, segundo ele, estava de pé a proposta de iniciar a vacinação no Brasil com 1,5 milhão de doses ainda em 2020, e o ministro teria solicitado uma quantidade maior de doses. Além de Guedes, o vereador Carlos Bolsonaro e Filipe Martins, assessor internacional do presidente da República, também mantiveram tratativas com a Pfizer. O filho do presidente Bolsonaro e o seu colaborador participaram da reunião de Fabio Wajngarten com representante da empresa sobre fornecimento de vacinas ao país.

Fonte:atarde.uol.com.br
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