Joel Santana fala sobre Bahia e Vitória e diz que futebol no Brasil 'dá vontade de chorar'




Com uma carreira de 30 anos como técnico e 20 como jogador, Joel Santana comparou o futebol das equipes baianas no período em que ele comandou o Bahia e o Vitória com a situação que os clubes passam hoje. Em entrevista ao programa BN na Bola, da rádio Salvador FM 92.3, apresentado por Emídio Pinto, Glauber Guerra e Ulisses Gama, Joel comentou sobre o cenário do futebol brasileiro e opinou sobre as dificuldades que as agremiações baianas enfrentam para se manterem nos campeonatos.





“Eu estou vendo [um futebol] muito mecanizado. Você vai ter um treinamento e no treinamento só vê posse de bola. O que que ganha jogo é gol, não é posse de bola”, declarou.



“No meu tempo, o jogador de futebol era um cara feliz e criativo. Hoje em dia, é muita palavra mágica que se inventa, você não vê o treinamento tático com treinamento de finalização, de defesa, de ataque, de corte, de falta… Hoje jogador não tem facilidade de jogar com a criatividade dele, ele tá muito mecanizado e aí a gente vê essa qualidade de futebol que a gente tá vindo aí, que dá vontade de chorar”, completou Joel Santana.



Com mais de 20 equipes comandadas, entre seleções e agremiações nacionais e internacionais, ele treinou o Bahia em 1994, 1999, 2011 e 2013, e assumiu o Vitória em 2002.



Relembrando os períodos em que jogou contra as duas equipes durante a carreira de atleta e quando assumiu esteve nelas como técnico posteriormente, ele destacou que os clubes já tiveram um grande futebol, mas que hoje, considera que a qualidade caiu.



“Eu gosto da Bahia porque a Bahia me promoveu muito dentro do futebol. (...) Naquela época, o time de Bahia e Vitória era cada timaço que não tinha tamanho. Nossos times eram bons, de qualidade e que jogavam de igual para igual”, relembrou Joel.



“Hoje você vê Bahia e Vitória indo mal nas competições, mal nos campeonatos... o empresário vai na frente aí bota um treinador dele, que começa, acima de tudo com as vontades do que ele quer fazer no clube”, criticou o técnico.



Ele ainda acrescenta que o futebol nacional deveria valorizar mais os profissionais do país ao invés de trazer treinadores de fora. Para ele, os brasileiros entendem melhor como o esporte se comporta aqui e brincou que não se pode trazer alguém acostumado a um estilo da modalidade e querer que ele saiba lidar com o jeito do Brasil.



“Essa mania de ficar trazendo português e argentino... parece que Portugal tem 200 títulos mundiais, parece que a Argentina tem 200 títulos mundiais, parece que o Uruguai tem 500 títulos mundiais…. Não dá! Você vê treinadores de qualidade e competentes parados”, pontuou.



“Cada região desse país tem uma maneira de ser, Os caras não conhecem a nossa vida e vem lá de Portugal comendo bacalhau e vai chegar no Rio de Janeiro e comer uma feijoada? Vai chegar aí na Bahia vai querer comer um bobó de camarão com pimenta? Vai nada…”, brincou o treinador sobre a adaptação dos estrangeiros aos clubes brasileiros.



Além de citar que considera o melhor técnico do Brasil como o que comanda a seleção, sendo atualmente Tite, Joel Santana ainda destacou os trabalhos de outros nomes brasileiros, como o que Renato Gaúcho fez no Grêmio e que Rogério Ceni ainda poderá fazer com o potencial que tem.



Atualmente sem clube, Joel Santana, de 72 anos, declarou ainda que aceitaria uma boa proposta que o escolhesse. Ele explicou que, contanto que haja respeito e disciplina na proposta de um clube, ele aceitaria voltar a treinar alguma equipe.



“Eu trabalho em qualquer lugar desde que eu seja remunerado equilibradamente. Eu não escolho a equipe, é a equipe que me escolhe, basta eu ter segurança no trabalho. O que falta no futebol é uma coisa chamada respeito e disciplina, isso é o principal, se eu não tiver isso eu não vou a lugar nenhum”, ressaltou.



Por fim, com elogios a Bahia e declarando ainda manter o carinho pelo estado e pelas torcidas das equipes, Joel ainda prometeu retornar.



“Eu vou voltar! Com certeza, eu vou voltar. A Bahia mora no meu coração, é uma segunda família”, completou.
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