Produtores Driblam Justiça e Fazem Festas Proibidas Em Barcos No Litoral Da Bahia




Numa escuna apinhada de gente, a maioria com roupa de banho, o ritmo disco embala a tarde, sob as águas da Praia da Boca da Barra, na Ilha de Boipeba, no litoral sul da Bahia, também conhecido como Costa do Dendê. O clima é de festa, mas os organizadores falam em "passeio turístico". Os produtores têm criado estratégias para driblar a Justiça, pois os eventos estão proibidos na região. Uma delas é chamar de passeio uma festa que cobra R$ 198 pela entrada, com bebida à vontade, DJ e 50 pessoas num espaço restrito. A aglomeração é visível.



A festa, chamada de passeio pela organização, recebe o nome de Piratah, como se vê em um picho feito numa bandeira colocada na lateral do barco. "A gente ia cancelar, mas o próprio pessoal de Boipeba pediu para mantermos, porque tinha o aluguel do barco, o contrato com os fornecedores das bebidas", defendeu-se um dos organizadores, que não quis se identificar e afirmou não ter lucro com a produção. "Manter foi importante para todo mundo também. Todo mundo já tinha reserva aqui, todo mundo veio para cá", emendou, em seguida.

Há outras duas festas ilegais que já ocorreram ou estão previstas para acontecer em Boipeba, a Sururu e a Discool, de 28 de dezembro a 2 de janeiro. Elas acontecem de dia, geralmente entre a tarde e o começo da noite, em barcos. São as chamadas "boat partys" - festas no barco, em tradução para o português. A reportagem não conseguiu contato com os produtores, todos de São Paulo. A prefeitura de Cairu, município ao qual pertence Boipeba, proibiu, em 17 de dezembro, a realização de festas. Há, ainda, um decreto do governo do da Bahia que proíbe shows e festas, públicas ou privadas, independentemente do número de participantes.

A venda de ingressos, para evitar provas e eventuais penalizações, tem sido feita a partir de contato com os próprios organizadores. As imagens de divulgação dos eventos acontecem por aplicativos de mensagem e grupos em redes sociais. O público, relataram frequentadores, é formado principalmente por paulistas e mineiros. Como acontecem no mar, esses eventos conseguem driblar melhor a fiscalização. A Capitania dos Portos não informou se realizou alguma fiscalização que pudesse flagrar festas clandestinas no mar.

"É um público descolado, que tem informação. Artistas, DJs, arquitetos. Aquele público descolado de festa de Pinheiros, sabe?", definiu um rapaz, sob anonimato. A referência é ao bairro de alto padrão da zona oeste de São Paulo, com concentração de bares, restaurantes e casas noturnas. É sinônimo de badalação. Já a Ilha de Boipeba é uma comunidade descoberta e mais explorada pelos turistas nos últimos anos, atraídos pelas praias desertas e piscinas naturais, onde moram 15 mil pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O turismo foi retomado em Boipeba e nas áreas vizinhas, como Morro de São Paulo, em setembro, depois de cinco meses de bloqueio ao público externo. A viagem até a península é somente por barco. Carros não entram. São 662 casos de covid-19 registrados em Cairu e, com a proibição de festas no período que antecede o Réveillon, a prefeitura pretendia conter as aglomerações e festas previstas.
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