Covid-19 avança de novo no interior de SP, que já vê fila de espera por vaga em hospital




AMERICANA E RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - A pandemia da Covid-19 avança novamente no interior paulista, que já tem registros de fila para atendimento em hospital e vê a Justiça obrigando a abertura de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).



Em Sorocaba, dois hospitais –Adib Jatene e Unimed– estavam com 100% de ocupação em leitos de UTI adulto no domingo (13) e a prefeitura vê na assinatura de um convênio a possibilidade de ampliar a oferta de vagas para reduzir a pressão no sistema de saúde. Em outros três hospitais, a ocupação atingiu 90%.

A cidade enfrentou problemas na última semana, com 10 pacientes de enfermaria aguardando vagas para leitos destinados a internados com o novo coronavírus.


Sorocaba tem cerca de 24 mil casos confirmados da doença, com 514 mortes até domingo, e a expectativa é que um convênio de 60 dias com o Hospital Santa Lucinda disponibilize a partir desta semana 20 leitos de enfermaria.
O governo pagará R$ 737,59 por dia para cada leito, o que representa R$ 442.554 por mês.

A situação de pressão em Sorocaba se repete em outros locais do interior paulista. Em Ribeirão Preto, que tem 87 leitos de UTI disponíveis, menos de 40% do registrado no auge dos casos na cidade, a ocupação está subindo e alcançou 57,47% nesta segunda-feira (14).

Na sexta, estava em 50,57%. Já na rede privada, a situação é mais crítica, com 23 dos 29 leitos exclusivos ocupados, ou 79,31% de ocupação, um avanço de 14 pontos percentuais em relação a sexta.

Os hospitais São Francisco e Unimed, ambos particulares, têm 100% de ocupação nos leitos de UTI disponíveis, com 10 pacientes no primeiro e 8 no segundo.

No último dia 3, o juiz Darci Lopes Beraldo acatou liminar obrigando o estado a abrir pelo menos dez leitos adicionais de UTI para pacientes de Covid no Hospital Regional de Presidente Prudente, sob pena de multa diária de R$ 100 mil caso a decisão não fosse cumprida em 24 horas.

Em sua decisão, o juiz apontou divergências entre os dados do Censo Covid-19 e a realidade nos hospitais. "Essa sobra [de vagas] apontada no censo não existe na prática, já que no dia 1º de dezembro a Promotoria de Justiça foi acionada duas vezes pelo fato de pacientes estarem internados na UPA [Unidade de Pronto Atendimento] aguardando vagas UTI Covid-19, pois a notícia é de que não havia vagas", afirmou.


Relatou que, no dia seguinte, cinco pacientes graves aguardavam por vagas de terapia intensiva.


"Chega-se à conclusão de que o Censo Covid para a região de Presidente Prudente não espelha a realidade, de modo que a sobra de leito nele exibida é figurativa, sendo que a microrregião em que está inserida a comarca de Presidente Prudente e o Pontal do Paranapanema está descoberta, não havendo leito de UTI suficiente para o enfrentamento da Covid-19. Aliás, sequer leito clínico/enfermaria", afirmou a decisão.

Após a liminar, a Secretaria de Estado da Saúde destinou dez leitos adicionais de UTI para o Hospital Regional de Presidente Prudente, dobrando a capacidade de atendimento.
Um plano de contingência firmado entre o Ministério Público Estadual e as operadoras de saúde nesta semana vai permitir a abertura, até janeiro, de 20 leitos no Hospital Iamada e na Santa Casa, que estavam à beira do colapso.

Hoje a região de Presidente Prudente, que abarca 45 municípios, tem 71,6% de ocupação na UTI e 62,5% na enfermaria. Apenas a cidade de Prudente tem 8.328 casos e 178 mortes por Covid.

Em Campinas, a taxa geral de ocupação de leitos de UTI exclusivos para Covid subiu de 58,8% em 27 de novembro para 85,71% nesta segunda (14). A situação é precária em todas as esferas: são 87,36% de vagas do SUS e 84,76% de vagas em hospitais privados ocupadas.

A prefeitura chegou a desativar 42 leitos de UTI para Covid nas redes pública e particular em 1º de dezembro, ficando apenas sete vagas disponíveis no SUS (hoje são nove).

Mas anunciou em seguida a transferência de dez vagas de uma UTI pediátrica no Hospital Ouro Verde para o uso de adultos com Covid-19. Também foi anunciada uma negociação para a contratação de mais dez leitos com a Santa Casa.

Campinas tem hoje 46.124 casos confirmados e 1.411 mortes.
No litoral de São Paulo, a taxa de ocupação de leitos de UTI na rede privada alcançou 72% em Santos, ficando em 43% na rede pública. A cidade tem 27.962 casos confirmados e 834 óbitos.

Na noite de domingo (13), o prefeito Paulo Alexandre Barbosa anunciou a abertura de 60 leitos Covid na UPA Central -40 para enfermaria e 20 para UTI. "Em virtude do aumento do número de casos, vamos ativar nosso plano de intervenções em relação ao enfrentamento da pandemia, que prevê a abertura de novos leitos na UPA Central", afirmou em live.

No litoral norte, a Prefeitura de Ilhabela iniciou na última semana a implantação de um hospital de campanha para atender casos que não sejam de coronavírus. O objetivo é concentrar os pacientes em tratamento da doença no hospital Mário Covas Jr, o único da ilha.

Até esta segunda-feira (14), foram confirmados cerca de 2.800 casos da doença na cidade, com 14 óbitos.

Com os leitos no Hospital de Campanha para outras enfermidades, o município terá 25 leitos intermediários e 5 de UTI para tratar pacientes com Covid-19. Três vagas estavam ocupadas no final de semana.

Marília atingiu neste fim de semana 100% de ocupação de UTI no Hospital Beneficente Unimar (hospital universitário) e 90% na Santa Casa. São 6.426 casos confirmados e 94 mortes na cidade. "Atenção proprietários de bares, restaurantes e organizadores de festas e baladas: é preciso neste momento ter muita responsabilidade com a saúde coletiva. Temos um quadro crescente de casos positivos e também de internações, quer seja em UTIs ou leitos de enfermaria", alertou a Secretaria de Saúde em uma rede social.

São José do Rio Preto, que somou 7.786 novos casos de Covid em 65 dias -contando hoje com 31.552 casos e 843 mortes-, tem 54% dos leitos públicos de UTI ocupados. "Há um aumento de todos os indicadores de piora da Covid em Rio Preto. Não é mais um pico isolado", afirmou o secretário da Saúde, Aldenis Borim.

Grande parte dos municípios paulistas está omitindo dados sobre a ocupação de leitos em suas páginas oficiais ou em suas redes sociais -casos de Sumaré, São José dos Campos e Piracicaba, no interior, e Praia Grande, no litoral.

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa da prefeitura de Sumaré respondeu que 60% dos leitos da UPA Macarenko (enfermaria) estavam ocupados, mas que era necessário procurar o Hospital Estadual e cada hospital particular para obter a informação.

O Hospital Estadual primeiro informou que não havia nenhum paciente de Covid-19 internado. Depois afirmou que havia quatro em UTI, mas não a totalidade dos leitos disponíveis.

Já a Prefeitura de Piracicaba relatou 49,23% de leitos de UTI ocupados tanto em hospitais privados quanto públicos até sexta. Não foi informada a ocupação separadamente.
São José dos Campos e Praia Grande não responderam aos questionamentos da reportagem. ​
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